Brasília (DF) – O Palácio do Planalto intensificou a ofensiva diplomática para barrar a imposição de taxas extras a produtos brasileiros pelo governo norte-americano. Em meio a um cenário de contagem regressiva, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, reforçou nesta quinta-feira (2) que o Brasil não abandonará a mesa de negociações. A estratégia segue diretriz direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que preza pelo multilateralismo mesmo diante de barreiras protecionistas impostas por Washington.
O desafio técnico ganha contornos de urgência à medida que o dia 15 de julho se aproxima — data limite para o início da cobrança das sobretaxas. A tensão foi discutida em uma reunião virtual realizada nesta manhã, que contou com a participação de técnicos do Itamaraty e representantes da assessoria especial da Presidência. O encontro ocorreu com a Representação Comercial dos EUA (USTR).
Apesar da complexidade técnica, o governo brasileiro denuncia a contaminação do ambiente econômico por disputas eleitorais. Márcio Elias criticou abertamente a atuação de figuras ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, como o deputado cassado Eduardo Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro. Segundo o ministro, há um esforço deliberado de aliados do ex-presidente em fomentar o tarifário junto a autoridades americanas, mesclando interesses comerciais com agendas ideológicas e oportunismo político. Para o titular do Mdic, esse tipo de conduta polui um debate que deveria ser estritamente técnico e voltado para os interesses nacionais.
O cenário das negociações é vasto. Esta foi a quarta reunião de alto nível conduzida pelo Brasil, somando-se a outros oito encontros técnicos anteriores. A pauta não se restringe às tarifas, abrangendo também a cooperação entre forças de segurança no combate ao crime organizado transnacional, lavagem de dinheiro e questões migratórias. O Brasil busca, ainda, consolidar investimentos em data centers e garantir a conformidade internacional na proteção de patentes, ponto que o governo defende já estar em estágio avançado.
A ameaça de taxação, originada no início de junho, baseia-se na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O governo norte-americano sustenta alegações de concorrência desleal, apontando o sistema de pagamentos Pix como um suposto entrave às empresas dos Estados Unidos — argumento que o Brasil contesta veementemente. Além disso, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança de Clima, representado por João Paulo Ribeiro Capobianco, refutou teses sobre desmatamento e comércio ilegal de madeira. Capobianco destacou que o Ibama mantém um rigoroso controle sobre a cadeia de custódia e rastreamento da madeira, garantindo que as exportações sigam padrões regulatórios estritos.
O tom de alerta também atingiu a esfera da soberania nacional. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, teceu críticas à correspondência enviada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ao senador Flávio Bolsonaro, manifestando disposição em colaborar com uma eventual transição de governo. Mercadante classificou o gesto como uma interferência inaceitável, pontuando que o compartilhamento de informações estratégicas de defesa, energia e tecnologia com atores estrangeiros, antes do devido tempo eleitoral, atenta diretamente contra a integridade do Estado brasileiro.





































































































