Brasília (DF) – Três municípios da Região Metropolitana de São Paulo — a capital, Guarulhos e São Bernardo do Campo — devem ampliar o público-alvo da vacinação contra o sarampo para qualquer pessoa entre 6 meses e 59 anos de idade. A orientação, emitida nesta terça-feira (28) pelo Ministério da Saúde, busca conter o avanço da doença antes do início da Campanha de Multivacinação, agendada para ocorrer entre 3 de agosto e 1º de setembro.
O protocolo oficial do Calendário Nacional de Vacinação estabelece que os bebês tomem a primeira dose da vacina tríplice viral aos 12 meses, seguida pela tetraviral aos 15 meses. O cenário atual, contudo, exige pressa. Adultos e jovens com até 59 anos que nunca receberam essas doses precisam procurar um posto de saúde para atualizar a imunização o quanto antes.
A movimentação das autoridades de saúde ocorre após a identificação de uma rota de transmissão ligada diretamente à entrada do vírus por pessoas vindas do exterior. Para sustentar a nova barreira sanitária, o governo federal já iniciou o reforço no envio de imunizantes para as cidades afetadas. Ao longo de 2026, mais de 7,2 milhões de doses da tríplice viral foram distribuídas pelo país, das quais 2,9 milhões acabaram aplicadas.
Proteção para os mais novos
Uma das principais estratégias para conter o contágio é a aplicação da chamada “dose zero” em bebês de 6 a 11 meses. Essa medida protege a faixa etária mais vulnerável a complicações graves, embora não substitua as doses regulares do calendário após o primeiro ano de vida. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) já vinha adotando essa recomendação desde junho para bebês de 6 a 11 meses e 29 dias residentes nos mesmos municípios envolvidos no alerta federal.
Até o momento, o ano de 2026 acumula 14 casos confirmados de sarampo no país. Três registros mapeados nos primeiros meses do ano já estão encerrados e sem risco de novos contágios. O problema atual se concentra em um surto ativo de 11 casos: nove deles na cidade de São Paulo e dois em São Bernardo do Campo. O estado de São Paulo, por sua vez, soma 13 infecções em 2026, atingindo principalmente bebês menores de 1 ano e adultos na faixa dos 20 aos 50 anos.
Rastrear a origem exata da transmissão tem sido um desafio. As investigações epidemiológicas mostram que a fonte primária da infecção ainda é desconhecida. A região onde os casos se concentram possui forte fluxo de pessoas e grande movimentação de passageiros internacionais, fatores que facilitam a circulação do vírus de forma silenciosa.
A vacina é a única ferramenta eficaz para bloquear a circulação do vírus e evitar que a doença volte a se estabelecer no território paulista. A diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE-SP), Tatiana Lang, reforça que a checagem da caderneta de vacinação por parte de pais e responsáveis, além da conscientização de jovens e adultos, é o caminho para impedir novos surtos. Quem tiver dúvidas sobre eficácia, reações ou calendário pode consultar o portal oficial do estado no endereço eletrônico https://www.vacina100duvidas.sp.gov.br/.











