Rio de Janeiro (RJ) – O Rio de Janeiro tornou-se, a partir desta segunda-feira (3), o principal ponto de convergência entre as cinematografias brasileira e chinesa. A 5ª Mostra de Cinema China Brasil dá início a uma programação extensa que se estende até o dia 25 de agosto, ocupando salas de exibição e espaços educativos pela cidade. O evento, que celebra o Ano Cultural Brasil-China, traz ao público um recorte de 14 produções, sendo que sete dos títulos chineses chegam ao espectador brasileiro pela primeira vez.
O CineSystem Botafogo, na zona sul da capital fluminense, centraliza as exibições principais. A entrada é franca, com ingressos disponíveis na bilheteria física ou por meio da plataforma Ingresso.com. A curadoria, assinada pelo empresário Arthur Chen e pelo produtor Hélio Pitanga, buscou fugir de clichês habituais sobre a China. Entre os destaques dessa proposta de autenticidade está o longa Yuan Longping: Pai do Arroz. O filme narra a trajetória do agrônomo responsável por avanços científicos cruciais na agricultura do país. Para Chen, natural da província de Zhejiang e hoje radicado no Brasil, o intuito foi apresentar uma China real, marcada por esforço e tecnologia — vertente que também aparece em documentários como Iluminando Ali: O Diário de um Engenheiro e Trabalhadores da Rede Elétrica do Cinturão e Rota.
A força comercial de Jackie Chan não foi esquecida na seleção. O ator, ícone das artes marciais, protagoniza Operação Sombra, atração inédita que promete atrair uma audiência ampla pelos seus momentos de ação coreografada. Outro ponto de interesse é a animação Filho Cabeçudo e Pai Cabeçudo, produção comparada pelos organizadores à influência da Turma da Mônica no imaginário infantil brasileiro.
O lado brasileiro da mostra prioriza obras que dialogam com a memória e a música. Estão em cartaz a cinebiografia Mamonas Assassinas: O Filme, o drama Nosso Lar 2: Os Mensageiros e documentários como Belchior – Apenas um Coração Selvagem e Corações a Mil. De acordo com Hélio Pitanga, a curadoria focou em títulos que tiveram trajetória consistente em festivais, oferecendo agora ao público a chance de assisti-los em tela grande, preenchendo uma lacuna deixada pelas salas comerciais.
Para além das exibições, o evento aposta na formação de novos talentos. O Concurso Jovem Cineasta, voltado para jovens de 18 a 29 anos, premia curtas-metragens de um a dois minutos sobre as relações entre Brasil e China. A cerimônia de premiação ocorre nesta terça-feira (4), no Palácio Tiradentes, com a presença da atriz Lucélia Santos e a entrega do Prêmio Arara Azul a todas as obras selecionadas, como uma forma de reconhecimento à produção audiovisual.
A capilaridade da mostra também chega a escolas bilíngues e locais de referência cultural. Estudantes que aprendem mandarim no Ciep Samuel Wainer e na Escola Municipal Orsina da Fonseca participarão de sessões específicas. Paralelamente, o público de bairros como Madureira, na Arena Carioca Fernando Torres, e da Rocinha, na Biblioteca Parque, terá contato direto com convidados chineses em debates após as sessões. A inclusão do Instituto Zeca Pagodinho, em Xerém, simboliza esse esforço de conectar diferentes mundos, unindo a força da música brasileira à produção visual asiática em uma experiência que busca democratizar o acesso à cultura cinematográfica internacional.











































































































