Iúna (ES) – O sábado, 19 de outubro, redesenhou o mapa da corrida presidencial com agendas intensas em quatro estados. Das capitais às cidades do interior, os postulantes ao Palácio do Planalto dividiram forças entre debates sobre a economia do cotidiano, a crise de segurança pública e o polêmico mercado das apostas virtuais.
O embate sobre as apostas e o modelo de segurança no Sul
Em Florianópolis, o presidente Lula, candidato à reeleição pelo PT, colocou as apostas online — as chamadas bets — no centro de seu discurso. Diante de apoiadores, o petista foi enfático ao defender o fim desse mercado no país, argumentando que a facilidade do acesso pelo celular tem arruinado as finanças de muitas famílias. Ele rebateu a pressão de clubes de futebol, que apontam risco de colapso financeiro caso o veto ocorra. Para o candidato, equipes como São Paulo, Flamengo e Corinthians venceram campeonatos mundiais muito antes do surgimento desse tipo de patrocínio. A resistência ao banimento, segundo ele, vem de emissoras de televisão, influenciadores e empresários que lucram com o setor.
Enquanto isso, em Joinville, o senador Flávio Bolsonaro (PL) seguiu caminho oposto no território catarinense. Ao desembarcar no estado, que classificou como “a prova do Brasil que deu certo”, o parlamentar focou seu palanque na segurança pública. Ele defendeu a exportação do modelo prisional catarinense para o restante do país, propondo parcerias com a iniciativa privada para que detentos de menor periculosidade trabalhem durante o cumprimento da pena, custeando a própria estadia e aprendendo um ofício para evitar a reincidência criminosa.
A pauta da segurança e da ordem também ecoou no Rio Grande do Sul. Em Capão da Canoa, Renan Santos, do Missão, subiu o tom ao prometer a militarização do Brasil para sufocar as facções criminosas na América do Sul. O candidato se posicionou como alternativa à polarização nacional, criticando tanto Lula quanto Flávio por, segundo ele, esvaziarem a esperança do eleitorado em um projeto político diferente.
As ruas do Rio e o mercado em Minas
O Rio de Janeiro concentrou mobilizações de esquerda nas ruas de Madureira, tradicional bairro da zona norte carioca. Hertz Dias, do PSTU, caminhou pela região alertando para o encarceramento em massa e a violência que atinge a juventude negra das periferias, cobrando investimentos maciços em educação e cultura. No mesmo bairro, Samara Martins, candidata pela UP, panfletou contra a exploração trabalhista, defendendo uma reforma drástica na jornada semanal com o fim da escala 6×1 e a duplicação dos salários.
Em Minas Gerais, o candidato Romeu Zema (Novo) levou seu discurso pró-mercado a Contagem. Zema defendeu a simplificação burocrática e a inversão da lógica de fiscalização comercial: o empreendedor deve abrir o negócio primeiro para que o Estado fiscalize depois. O ex-governador criticou o peso do “custo-Brasil”, com destaque para as taxas de juros anuais de 25% praticadas no mercado financeiro nacional, que contrastam com índices muito menores na Ásia e na Europa.
Demandas do agro, saúde e entrevistas
Em São Paulo, Ronaldo Caiado (PSD) marcou presença no Encontro Nacional de Muladeiros do Bem, em Barretos, onde apresentou propostas para o agronegócio, incluindo um seguro rural robusto e pacificação no campo. No setor de saúde, prometeu instituir a “via rápida do câncer” no SUS para agilizar diagnósticos e tratamentos precoces. Mais tarde, concedeu entrevista para uma emissora de TV em Osasco.
A rodada de sábado teve ainda sabatinas e entrevistas individuais. Augusto Cury, do Avante, participou de sabatina no Jornal da Record, enquanto Edmilson Costa, do PCB, concedeu entrevista ao SBT News. Wilson Grassi, do Democrata, optou por uma agenda esportiva no Pico do Jaraguá, na capital paulista.
Os candidatos Clariana Barão (DC), Leonardo Avalanche (PRTB) e Rui Costa Pimenta (PCO) não registraram atividades de campanha ou agendas públicas oficiais no fim de semana.











