Guarapari (ES) – O cenário para a corrida presidencial de 2026 ganhou contornos mais definidos com a entrada de Ronaldo Ramos Caiado na disputa. Aos 76 anos, o político goiano deixou o comando do governo de Goiás, cargo que ocupava até recentemente, para concentrar esforços em sua candidatura pelo Partido Social Democrático (PSD). Para compor a chapa, a legenda escalou seu próprio presidente nacional, Gilberto Kassab, como vice.
Nascido em Anápolis, Caiado trilhou um caminho que equilibra a medicina e a política. Formado em ortopedia pela Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, ele é herdeiro de uma família profundamente ligada ao agronegócio goiano. Essa raiz no campo foi o motor de sua ascensão pública, consolidada ainda na juventude quando presidiu a União Democrática Ruralista (UDR). O organismo, conhecido por liderar a defesa dos interesses de grandes proprietários de terras, tornou-se a espinha dorsal de seu discurso político ao longo das décadas.
A experiência acumulada por Caiado no Executivo e no Legislativo é vasta. Ele governou o estado de Goiás por dois mandatos seguidos e cumpriu cinco mandatos na Câmara dos Deputados — quatro deles de forma ininterrupta. Não é, contudo, a primeira vez que o médico tenta chegar ao Palácio do Planalto; o nome do agora ex-governador já havia aparecido nas urnas nacionais durante o pleito de 1989.
O veículo de sua nova empreitada, o PSD, é uma sigla que se posiciona estrategicamente no centro do espectro político. Fundado em 2011, o partido não guarda conexão histórica com a sigla homônima que acompanhou Juscelino Kubitschek no século passado. Sua estrutura foi construída, em grande parte, por meio da migração de quadros vindos de legendas como DEM, PSDB, PP, PMDB e PMN, consolidando uma base que agora se volta integralmente para a campanha de Caiado.
A transição de um governo estadual para uma campanha nacional impõe desafios específicos ao candidato, especialmente pela necessidade de expandir sua imagem para além das fronteiras do Centro-Oeste. Com Kassab ao seu lado, Caiado tenta articular as demandas do setor produtivo com a estrutura partidária de um partido que, apesar da pouca idade, detém capilaridade nacional considerável. A pergunta que resta, agora que os prazos legais foram cumpridos e a licença do governo de Goiás foi oficializada, é se a trajetória de quase quatro décadas será suficiente para convencer o eleitorado a lhe conferir o cargo que buscou pela primeira vez há mais de 35 anos.






































































































