Ibatiba (ES) – O ciclo de violência que resultou na morte de Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, culminou na prisão de todos os quatro homens identificados pelas autoridades por participação direta no crime. O último a se apresentar foi Ailton José da Silva, de 24 anos, que se entregou à polícia na última sexta-feira (21). Com sua custódia, o Estado consolida a detenção de todos os indivíduos formalmente acusados até o momento.
Além de Ailton, a lista de detidos inclui Felipe Eduardo dos Santos Silva, 23, também entregador por aplicativo, e os seguranças Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias. O grupo ainda é alvo de investigações que buscam localizar um quinto suspeito. Imagens de câmeras de segurança registraram este homem, ainda sem identificação pública, desferindo um chute contra a cabeça da vítima durante o ataque. Ele permanece foragido.
A sequência trágica começou por volta das 22h30 do dia 11, em Botafogo. Cláudio Rafael mantinha o hábito de realizar passeios noturnos de bicicleta, rotina interrompida naquela noite na Rua Barata Ribeiro. Ele foi parado por Davi Santos Machado sob a acusação infundada de que teria furtado o próprio veículo. Por enfrentar transtornos psicológicos, Cláudio não conseguiu explicar aos agressores que a bicicleta pertencia, na verdade, à sua irmã.
O interrogatório improvisado rapidamente escalou para a agressão física. Machado desferiu a primeira paulada, enquanto Jorge Luiz tratou de subtrair a bicicleta da vítima. O que se seguiu foi uma sessão de espancamento prolongada, que persistiu mesmo após Cláudio buscar abrigo na portaria de um prédio próximo. Registros captados pelo sistema de vigilância mostram a brutalidade do ato: o ciclista recebeu 57 golpes de porrete — a maior parte concentrada na região da cabeça —, além de sucessivos chutes e pisões.
O socorro chegou cerca de 30 minutos após o início das agressões, quando o grupo já havia se dispersado. Cláudio Rafael foi encaminhado ao Hospital Miguel Couto, mas a gravidade das lesões impediu sua recuperação. Ele faleceu na madrugada do dia 12. O laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML) confirmou que o óbito foi provocado por um traumatismo craniano encefálico, agravado por lesões severas no baço e no rim esquerdo.
A Polícia Civil segue em diligências para identificar o quinto integrante do grupo que participou do espancamento. A prisão dos quatro acusados anteriores marca um passo decisivo na elucidação de um crime que chocou a capital fluminense pela desproporção da força utilizada contra alguém que apenas transitava de bicicleta pelas ruas da cidade.












