Brasília (DF) – O governo brasileiro manifestou formalmente seu descontentamento com o teor de um relatório sobre o narcotráfico encaminhado ao Congresso norte-americano. Em resposta às críticas, o Ministério da Justiça rechaçou qualquer alegação de inércia ou falha na segurança pública, defendendo a eficácia das medidas adotadas recentemente para sufocar organizações criminosas no país.
O documento emitido por Washington, que elencou 23 nações consideradas grandes polos de produção ou rotas de tráfico, embora não tenha incluído o Brasil na lista direta de produtores, dedicou um capítulo específico para questionar a postura brasileira frente ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). Para o governo brasileiro, essa análise ignora o cenário atual de enfrentamento ao crime organizado.
A reação brasileira aponta para a sanção da Lei Antifacção, ocorrida em março, como um marco jurídico que impõe sanções mais rigorosas aos líderes criminosos. Somado a isso, o Ministério destaca o Programa Brasil contra o Crime Organizado, colocado em prática em maio. A iniciativa foca em três pilares fundamentais: o bloqueio do financiamento ilícito, a reestruturação do sistema prisional e o combate cerrado ao tráfico transnacional de armas.
Dados oficiais apresentados pela pasta reforçam o posicionamento contra as críticas externas. As forças federais brasileiras conduziram dezenas de milhares de operações ao longo de 2026, uma movimentação que resultou em um impacto financeiro bilionário para as estruturas dessas facções.
O relatório americano também trouxe análises sobre outros vizinhos latino-americanos, sinalizando uma mudança de tom em relação a governos como o de Delcy Rodríguez, na Venezuela. Após o sequestro de Nicolás Maduro, os Estados Unidos identificaram uma abertura para cooperação, que incluiu inclusive a eliminação de um dos líderes da organização Tren de Aragua por forças norte-americanas dentro do território venezuelano.
No caso da Bolívia, sob a gestão de Rodrigo Paz, Washington reconhece a retomada do diálogo, exemplificada pela extradição de um traficante uruguaio. Ainda assim, a administração norte-americana mantém ressalvas quanto à erradicação do cultivo de coca no país, atribuindo o problema a uma herança do governo anterior. O Brasil, contudo, prefere manter o foco nas ações domésticas, reafirmando que o trabalho de desarticulação do crime é constante e segue critérios técnicos rigorosos.












