Ibatiba (ES) – A trajetória política de duas décadas de Veronica Costa foi interrompida na noite desta quinta-feira (24). A ex-vereadora do Rio de Janeiro foi detida por agentes da Polícia Civil fluminense, encerrando um período em que permanecia em liberdade apesar da sentença condenatória pelo crime de tortura. A prisão ocorreu após o trânsito em julgado do processo, que culminou em uma pena de dez anos e oito meses de reclusão.
A operação, coordenada pela Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC-Polinter), foi fruto de um trabalho de inteligência que mapeou o esconderijo do grupo. Veronica e outros três acusados, todos sentenciados pelo mesmo episódio violento ocorrido em 2011 contra Marcio Costa, ex-marido da política, estavam homiziados em uma residência no Vale das Videiras, região serrana do estado. O monitoramento foi preciso: a colaboração da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que rastreou a placa de um dos automóveis utilizados na tentativa de evasão, foi determinante para localizar os foragidos.
Ao ser conduzida à delegacia, a ex-vereadora manteve a postura de negação quanto à autoria do crime. Em breves declarações aos agentes, alegou que não se enquadraria no perfil de “bandida ou marginal” e classificou a decisão do Poder Judiciário como um equívoco. O discurso, contudo, contrasta com o teor dos autos, que confirmaram a participação de familiares da ex-parlamentar nas agressões que geraram a condenação criminal definitiva.
Veronica Costa construiu uma longa carreira no Legislativo municipal carioca. Entre idas e vindas, somou cinco mandatos consecutivos e intercalados, ocupando uma cadeira na Câmara dos Vereadores durante dois períodos distintos: de 2001 a 2008 e, mais recentemente, de 2013 até este ano de 2024. A execução dos mandados de prisão agora retira a ex-política da vida pública e a coloca sob custódia do Estado para o cumprimento da sentença imposta pela Justiça.
A prisão de Veronica e dos outros três envolvidos na noite de quinta-feira marca o capítulo final de um processo que se arrastava por mais de uma década. Sem mais instâncias de recurso disponíveis após o esgotamento das possibilidades jurídicas, o grupo segue agora para o sistema prisional, onde deverão iniciar o regime fechado determinado pela condenação por tortura.












