São Paulo (SP) – O Museu da Imagem e do Som (MIS), na zona oeste de São Paulo, abre suas portas nesta sexta-feira (9) para uma celebração que ultrapassa a música. Até 29 de novembro, o público poderá conferir Marília Mendonça – Sentimento Louco, a primeira grande exposição dedicada a dissecar a trajetória e o impacto da cantora que, com canções confessionais, deslocou as mulheres para o centro do gênero sertanejo.
A mostra surge quase cinco anos após o acidente aéreo que interrompeu a vida da artista, em 5 de novembro de 2021. Para a curadora Isa Pessoa, o projeto não é apenas uma homenagem, mas uma necessidade cultural. Ela destaca que Marília não apenas cantava histórias de abandono, mas as traduzia com um realismo que conversava com o cotidiano das brasileiras. A icônica Infiel, por exemplo, nasceu da vivência de uma tia da cantora, transformando uma dor privada em um hino coletivo.
Nascida em Cristianópolis (GO), Marília cedo mostrou que sua visão de mundo estava à frente da idade. Aos 13 anos, já circulava pelos bastidores da indústria fonográfica como compositora. Wander Oliveira, fundador da WorkShow, recorda que o talento da menina exigia atenção imediata: quando ela trazia uma ideia que parecia fora do comum, o melhor caminho era ouvir com cuidado, pois ali residia uma intuição rara.
A exposição no MIS propõe uma jornada sensorial que mistura o arquivo público com a intimidade. Os visitantes encontrarão objetos pessoais, como óculos, sapatos, diários e violões. Um dos pontos altos é a reprodução quase fiel do quarto da cantora. Com exceção de um pequeno item de maquiagem, todos os objetos expostos — de perfumes a livros na cabeceira — são originais, preservando a aura de quem, segundo o diretor artístico Nelson Foerster, revolucionou o sertanejo ao imprimir um sentimento genuíno na letra das músicas.
O conteúdo da mostra dialoga diretamente com um documentário que estreará em plataformas de streaming na próxima semana, servindo como materialização das pesquisas e depoimentos colhidos para a produção audiovisual. A organização dos ambientes segue a lógica das composições de Marília. O espaço Esqueça-me Se For Capaz reúne memórias pessoais, enquanto a ala batizada de Sentimento Louco investe na imersão audiovisual.
Para quem conviveu com a artista, a exposição traz sentimentos contraditórios. Wander Oliveira admite que, embora o tempo auxilie na cicatrização, o aperto no peito persiste ao observar a dimensão do legado deixado. Ainda assim, prevalece a percepção de que a artista merece tal reconhecimento, assim como o público merece o acesso à sua história. O MIS oferece entrada gratuita às terças-feiras, com detalhes adicionais e compra de ingressos disponíveis em seu site oficial.











