Rio de Janeiro (RJ) – O cenário assistencial do Hospital Geral de Bonsucesso mudou. A unidade alcançou a marca de 450 leitos operacionais voltados exclusivamente aos pacientes do SUS. O avanço faz parte do Plano de Reestruturação dos Hospitais Federais do Rio de Janeiro, uma estratégia que busca recompor a oferta de serviços em pontos nevrálgicos da rede federal na capital fluminense. Com o processo de revitalização, a emergência, que permaneceu fechada durante cinco anos, voltou a funcionar em regime de 24 horas.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esteve na unidade nesta quinta-feira (15) para acompanhar os resultados das intervenções. O balanço apresentado revela uma mudança de escala: o volume de cirurgias no hospital saltou de 500 para mais de 1,6 mil procedimentos. A produtividade em exames seguiu uma curva ascendente ainda mais acentuada, superando a marca de 170 mil atendimentos, frente aos 20 mil registrados anteriormente. O número de internações também dobrou, espelhando uma tendência de recuperação que, conforme os dados oficiais, também alcança os hospitais do Andaraí, Cardoso Fontes, da Lagoa, Ipanema e dos Servidores.
A modernização tecnológica foi um pilar dessa expansão. A unidade de Bonsucesso recebeu um segundo tomógrafo, investimento projetado para atender uma demanda de 500 exames mensais. Paralelamente, o setor de hemodinâmica ganhou uma segunda sala estruturada com um aparelho de Arco em C. Esse equipamento é decisivo para a rotina hospitalar, permitindo que cirurgiões realizem intervenções vasculares complexas, como angioplastias e arteriografias, com maior precisão.
A importância do Hospital Geral de Bonsucesso permanece central na rede de alta complexidade do sistema público. O foco do atendimento abrange áreas vitais como cardiologia, oncologia, transplantes, traumato-ortopedia, além de cirurgias cardíacas e vasculares. Os números de 2026 ilustram essa pressão por demanda: entre janeiro e setembro, a unidade contabilizou 41,3 mil atendimentos, mantendo uma média mensal de 4,5 mil pacientes — um volume 21% superior ao verificado no ano anterior.
No quesito internações, o hospital registrou 12,1 mil registros no mesmo período de nove meses, com uma média mensal que cresceu 19% frente a 2025 e atingiu uma alta de 88% quando comparada ao cenário de 2024.
Impacto do Plano de Reestruturação
O Plano de Reestruturação dos Hospitais Federais do Rio de Janeiro foi implementado em julho de 2024 com o objetivo de integrar as unidades ao fluxo do SUS e reorganizar a oferta de assistência. Desde então, o balanço aponta a reabertura de 477 leitos em toda a rede e a incorporação de 3.239 profissionais. O esforço envolve parcerias estratégicas com a Prefeitura do Rio, a Fiocruz, o Grupo Hospitalar Conceição, a HUBrasil e instituições universitárias.
Em uma perspectiva comparativa ao ano de 2022, a rede federal no Rio de Janeiro apresenta hoje números expressivos: um aumento de 708,5% nos atendimentos de emergência e um crescimento de 38,8% nas internações. Os procedimentos cirúrgicos subiram 28,7% e as consultas médicas registraram um incremento de 30,8%. O trabalho de reestruturação segue, portanto, focado em estabilizar essa capacidade produtiva enquanto mantém os serviços essenciais de alta complexidade em pleno funcionamento.












