Rio de Janeiro (RJ) – Uma ofensiva ostensiva contra o braço financeiro e logístico do Comando Vermelho culminou na transferência da empresária Márcia Gama Nepomuceno e de seu filho, Lucas dos Santos Nepomuceno, para a sede da Polícia Federal na capital fluminense nesta segunda-feira (19). Ela é companheira de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, e mãe do rapper Oruam. As capturas integram a Operação Backbone, deflagrada para sufocar a rede econômica que sustenta o crime organizado no Rio de Janeiro.
A varredura mirou ao todo 23 alvos de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, ordens todas chanceladas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Até o início da tarde, agentes já haviam cumprido 20 dos mandados de prisão — um deles notificado ao próprio Marcinho VP dentro da Penitenciária Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, onde o presidiário completou três décadas de reclusão em 2026.
Domínio do sinal e blindagem financeira
O foco principal da apuração recai sobre o controle absoluto imposto pela facção na oferta de serviços de internet. Os bairros da Pavuna, Anchieta, Ricardo de Albuquerque, Costa Barros e Guadalupe, além dos complexos do Alemão, Penha e Chapadão, viviam sob a imposição desse serviço exclusivo. Para transformar o dinheiro extorquido em capital limpo, a estrutura utilizava empresas provedoras de sinal como fachada de lavagem de dinheiro.
Além das prisões, as decisões judiciais determinaram o bloqueio sumário de bens e valores que somam R$ 558 milhões. A constrição alcança 40 pessoas físicas e 42 pessoas jurídicas. Na lista de empresas que tiveram as atividades suspensas estão desde provedores de sinal de banda larga e firmas de fachada até produtoras de eventos e um escritório de contabilidade.
Atingimento regional e desdobramentos legais
As buscas não se limitaram à cidade do Rio de Janeiro. Equipes policiais se espalharam por endereços na Baixada Fluminense — com incursões em Nova Iguaçu, São João de Meriti e Magé —, além de cumprirem ordens judiciais em Teresópolis, na Região Serrana, e em Maricá, na Região Metropolitana. Parte das ordens de prisão foi direcionada a investigados que já se encontravam reclusos no sistema penitenciário estadual e no Sistema Penitenciário Federal.
Diante do desdobramento, a defesa de Márcia Nepomuceno, conduzida pelo advogado Flávio Fernandes, declarou que ainda não teve acesso integral aos autos para analisar formalmente a medida cautelar. O defensor pontuou que o procedimento apura repasses de empresas clandestinas de TV e internet para familiares da investigada, mas assegurou que sua cliente não guarda qualquer relação com esses estabelecimentos. De acordo com o advogado, os negócios registrados em nome de Márcia funcionam de forma regular, com emissão de notas fiscais e obrigações quitadas junto à Receita Federal. A defesa de Lucas dos Santos Nepomuceno não se pronunciou.
A Operação Backbone faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa sob coordenação direta da Polícia Federal para combater organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro, em cumprimento às diretrizes fixadas pelo STF no âmbito da ADPF 635.












