Rio de Janeiro (RJ) – O debate da TV Globo, realizado na noite desta sexta-feira (23), foi marcado por um confronto direto sobre segurança pública entre os candidatos à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O tom da discussão subiu quando o petista questionou as motivações do adversário ao defender o cabo da Polícia Militar do Rio de Janeiro, denunciado pelo Ministério Público pela morte da menina Ana Clara, de 5 anos, ocorrida em 2021.
Flávio Bolsonaro manteve sua posição diante das câmeras e dos espectadores. O parlamentar argumentou que sua atuação em prol do policial baseia-se na convicção de sua inocência, sublinhando o fato de que o processo judicial ainda aguarda julgamento. “Eu quero saber quem foi o autor desse disparo, porque eu tenho a confiança que não foi esse policial”, justificou o candidato do PL.
A tensão na plateia atingiu um ponto crítico com a presença de Cristiane Gomes da Silva, mãe da criança. Ao se dirigir a ela, Flávio lamentou a perda e tentou contextualizar o episódio como parte de uma “troca de tiros” em uma comunidade dominada pelo tráfico. A resposta, contudo, foi rebatida prontamente pela mãe de Ana Clara, que citou laudos da perícia da Polícia Civil indicando a inexistência de qualquer confronto armado naquele dia.
Para Cristiane, a fala do candidato foi evasiva. “Ele não respondeu por que defendeu o assassino da minha filha. Ele inventou um confronto ali como o policial inventou no dia”, afirmou após o bloco. O embate sobre segurança não parou no caso específico; Flávio reforçou sua plataforma de campanha, que inclui a classificação de organizações criminosas como narcoterroristas e a proposta de redução da maioridade penal para 16 anos, caindo para 14 em casos de crimes hediondos, como estupro.
Lula aproveitou o momento para contra-atacar, trazendo à tona o histórico de ligações de seu oponente com milícias cariocas. O petista defendeu a reestruturação da área de segurança através da criação de um ministério específico para a pasta e o fortalecimento das forças federais, como a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal, prometendo uma ofensiva contra o crime organizado.
A educação completou o espectro de temas discutidos. Flávio Bolsonaro defendeu o ensino integral como barreira contra a criminalidade, propondo a implementação de cursos técnicos no contraturno escolar como estratégia para preparar os jovens para o mercado de trabalho. “Criança mais perto da escola é criança mais longe do crime”, resumiu.
Lula, em contrapartida, destacou o programa Pé-de-Meia, que oferece incentivo financeiro na forma de poupança para estudantes do ensino médio público. O petista prometeu expandir a iniciativa para o nível universitário e defendeu seu legado na criação de novas universidades e institutos federais, reforçando a educação como pilar de sua gestão.












