Ibatiba (ES) – O primeiro dia de provas do Enem, marcado para este domingo, provoca uma onda de tensão natural entre os candidatos. O problema aparece quando a pressão por revisar todo o conteúdo acumulado se soma às expectativas externas, transformando a preparação em um terreno fértil para crises de ansiedade e estados depressivos. A psicologia alerta que o exame não avalia apenas o conhecimento técnico, mas também a resiliência emocional diante de um futuro profissional que parece ser decidido em poucas horas.
Wilma Amorim, psicóloga e docente na Afya Porto Nacional, observa que a carga simbólica do Enem — o passaporte para o ensino superior e a validação de anos de esforço — naturalmente gera insegurança. Existe, contudo, uma diferença crucial entre o entusiasmo moderado, aquele famoso frio na barriga que mantém o estudante alerta, e a ansiedade paralisante. Quando o nervosismo começa a sabotar o sono, a memória e o foco, a estratégia de preparação precisa ser urgentemente revista.
A armadilha da reta final
O erro mais frequente na véspera é o abandono das necessidades básicas em nome de horas extras de estudo. Privar-se de dormir ou negligenciar a alimentação só reduz o rendimento no momento em que o cérebro mais precisa de clareza. Stephanie Zanini, especialista em psicologia positiva e diretora no Ensina Brasil, é categórica ao desaconselhar o ritmo exaustivo nas últimas 24 horas. O que não foi aprendido ao longo do ano letivo não será assimilado na véspera da prova.
A recomendação para o sábado que precede o exame é simples: lazer. Buscar atividades que tragam bem-estar, encontrar pessoas queridas ou simplesmente desconectar-se é um passo fundamental. O descanso, neste estágio, é uma ferramenta de estudo tão legítima quanto um livro. A logística também entra como aliada da saúde mental; conferir o local da prova, separar documentos e organizar o material com antecedência elimina surpresas que costumam disparar picos de estresse desnecessários.
Outro ponto crítico é a gestão do tempo de tela. As redes sociais funcionam como um amplificador de comparações nocivas, onde o desempenho alheio é frequentemente usado como régua para medir a própria capacidade, gerando um ciclo de exaustão e angústia.
O papel decisivo da família
Os responsáveis têm o poder de neutralizar ou potencializar o clima de tensão dentro de casa. Uma postura de escuta ativa, que valide o esforço dedicado ao longo dos meses, é muito mais eficaz do que frases carregadas de cobrança, como o reforço sobre o investimento financeiro ou a obrigatoriedade da aprovação. Esse tipo de pressão só eleva o medo do fracasso.
O acolhimento deve respeitar o temperamento do jovem. Alguns preferem o silêncio e a introspecção, enquanto outros buscam diálogo para aliviar a carga. O papel da família é oferecer segurança, garantindo que o estudante sinta que, independentemente do resultado, sua trajetória é reconhecida. Mostrar caminhos alternativos para diferentes cenários também ajuda a diminuir o peso das expectativas, criando um ambiente favorável para que o candidato chegue ao domingo com estabilidade emocional.









