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Educação

Ensino integral supera escolas parciais no desempenho de alunos vulneráveis no Ideb 2025

Levantamento aponta que jornada ampliada reduz abismos educacionais e acelera a aprendizagem de jovens de baixa renda

Por Redação / Diário da Nação
18 de agosto de 2026
em Educação
2 mins read
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Ensino integral supera escolas parciais no desempenho de alunos vulneráveis no Ideb 2025

📷 Divulgação Instituto Natura

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Vitória (ES) – O desempenho das escolas de ensino médio no Ideb 2025 revela uma mudança significativa na dinâmica da educação pública brasileira. Entre as 100 instituições de menor nível socioeconômico que alcançaram as melhores notas no país, 77 operam em tempo integral. A conclusão parte de um cruzamento de dados inédito realizado pelo Instituto Sonho Grande e pelo Instituto Natura Brasil, que avaliou a relação entre o desempenho escolar e o Indicador de Nível Socioeconômico (INSE) dos estudantes.

O impacto do modelo é mais acentuado justamente onde a vulnerabilidade é maior. Em um grupo de 1.166 escolas de nível socioeconômico baixo, o formato de tempo integral garantiu uma vantagem de 0,6 pontos no Ideb em comparação com as 1.713 unidades que ainda mantêm jornadas parciais. Em termos percentuais, isso representa um desempenho 15% superior. A análise indica que, nessas regiões, o ganho de aprendizado vinculado à carga horária estendida é quase 70% maior do que o observado em áreas mais abastadas.

Os resultados do SAEB 2025 reforçam a tendência. Em matemática, alunos em escolas de tempo integral de baixa renda superaram seus pares do ensino parcial em 23 pontos, uma diferença equivalente a 4,6 anos de escolarização. Na língua portuguesa, o avanço foi de 21 pontos, representando 3,2 anos extras de aprendizado acumulado. Segundo Maria Slemenson, superintendente de Políticas Educacionais do Instituto Natura Brasil, o tempo adicional é o diferencial que permite aos professores não apenas avançar no currículo, mas também sanar lacunas deixadas pelo ensino fundamental.

A disparidade de desempenho também apresenta um recorte racial positivo. Em escolas onde o corpo discente é composto majoritariamente por estudantes pretos, pardos ou indígenas, o impacto equalizador do ensino integral é evidente. Nestas unidades, a nota média do Ideb chega a 4,9, superando os 4,3 das escolas de tempo parcial. Atualmente, 74% das instituições 100% integrais do país atendem a esse perfil de público.

O sucesso desse modelo não se restringe apenas ao aumento do tempo dentro da sala de aula. A estratégia pedagógica fundamenta-se em quatro pilares: a construção de um projeto de vida, o acolhimento socioemocional, a prática constante e a tutoria estruturada. Para a especialista, esse suporte é vital para jovens que, muitas vezes, não encontram em seu ambiente familiar a rede de segurança necessária para o desenvolvimento pleno.

Apesar dos números favoráveis, o Brasil ainda lida com um desafio de escala. Das escolas de ensino médio avaliadas, 4.235 operam em tempo integral, o que corresponde a 21% do total, enquanto mais de 1 milhão de alunos permanecem no sistema parcial. O Piauí surge como o principal exemplo de viabilidade do projeto: o estado foi o primeiro do país a universalizar o formato em todas as suas escolas estaduais entre 2022 e 2025.

A lição que fica, segundo a análise do Instituto Natura, é que a eficácia do ensino integral depende menos da capacidade fiscal do estado e mais da continuidade da gestão. O caso piauiense prova que a universalização é uma escolha política, capaz de fazer com que a aprendizagem deixe de ser um reflexo da renda familiar para se tornar um direito alcançável, independentemente das limitações financeiras da região.

Tags: desempenho escolareducação públicaEnsino IntegralIdeb 2025Políticas Educacionais
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