Iúna (ES) – O destino político da Colômbia repousa, mais uma vez, em um domingo decisivo. No próximo dia 21, mais de 41 milhões de cidadãos são chamados a decidir quem comandará o segundo país mais populoso da América do Sul. De um lado, o senador Iván Cepeda, herdeiro do projeto de esquerda do Pacto Histórico de Gustavo Petro. Do outro, o advogado Abelardo De La Espriella, uma figura de extrema-direita que ostenta o apoio explícito de Donald Trump.
A tensão é palpável. No primeiro turno, realizado em 31 de maio, o cenário já indicava um embate apertado: Espriella terminou à frente, com uma margem de 673 mil votos. Contudo, em um país onde o voto é facultativo e a abstenção atingiu 43% do eleitorado no último pleito, as projeções matemáticas são terrenos pantanosos. A dúvida paira sobre se o entusiasmo pelo “tigre” — como Espriella se autointitula — será suficiente para converter a liderança inicial em vitória definitiva.
Impacto continental
A eleição transcende as fronteiras colombianas. Observadores apontam que a vitória do candidato apoiado por Trump sinalizaria um alinhamento direto com Washington, transformando Bogotá em uma peça-chave para a estratégia regional dos Estados Unidos. O professor Sebástian Granda Henao, da UFGD, observa que o triunfo de Espriella desidrataria alianças estratégicas atuais. Iniciativas voltadas à transição energética ou o fortalecimento do eixo entre Colômbia, Brasil e México poderiam ser rapidamente descartadas.
O perfil de Espriella remete a figuras como Javier Milei. Advogado com histórico de clientes controversos e ex-residente na Itália, ele aposta no discurso de “outsider” e na velha retórica armamentista focada no combate às drogas e na contenção migratória. Já Cepeda, filho de um senador assassinado nos anos 90, tenta blindar o legado do Pacto Histórico, que conseguiu aprovar reformas trabalhistas e previdenciárias mesmo sob a sombra de um conflito armado que desafia a política de Paz Total do atual governo.
Incertezas na reta final
Embora Espriella tenha recebido o suporte de Paloma Valencia, terceira colocada no primeiro turno com 6,9% dos votos, o resultado não é favas contadas. Henao ressalta que o comportamento do eleitorado de centro, somado à possibilidade de desmobilização causada pela Copa do Mundo, pode repetir surpresas passadas. Há uma parcela da direita tradicional, menos radical, que enxerga com cautela a ascensão de Espriella.
Em 2022, Petro também enfrentou um cenário adverso, sendo superado pela soma das forças conservadoras no primeiro turno para depois virar o jogo na etapa final. Com o país ainda dividindo-se entre a estabilidade econômica e os dilemas crônicos de violência, o domingo promete ser o divisor de águas entre o continuísmo e a promessa de uma ruptura radical no tabuleiro sul-americano.






































































































