Colatina (ES) – O agravamento das hostilidades no Oriente Médio nos últimos dias sepultou qualquer expectativa de pacificação baseada no memorando de entendimento firmado entre Estados Unidos e Irã. Desde o dia 28 de fevereiro, o cenário regional mergulhou em uma espiral de violência que ignorou os termos da negociação, expondo a fragilidade de um documento agora visto por especialistas como um mero artifício protocolar.
As manobras militares ganharam contornos críticos com ataques diretos contra alvos civis. Pontes, hospitais, usinas de produção de combustíveis e de dessalinização de água foram atingidas, chegando ao canteiro de obras de uma instalação nuclear. Em resposta, o Irã ampliou ofensivas contra infraestruturas estratégicas na Jordânia, no Bahrein e no Kuwait, mirando bases americanas instaladas nesses territórios.
O major-general português Agostinho Costa, veterano em estudos de segurança, classifica o memorando como uma manobra diversionista. Segundo sua análise, Donald Trump teria validado o texto sob pressão imediata pela queda nas reservas de petróleo, agravada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz. Para ele, o acordo nunca teve intenção real de ser cumprido, servindo apenas para ganhar tempo diante de uma crise iminente no abastecimento de diesel.
A tensão tem como pano de fundo a disputa pela hegemonia norte-americana na região. Ao ceder controle sobre rotas marítimas vitais para aliados como Emirados Árabes Unidos e Kuwait, Washington estaria, na prática, aceitando o fim de sua supremacia histórica no Oriente Médio. Essa resistência em perder influência é o que mantém os EUA presos a uma estratégia de bombardeio aéreo ineficaz, que repete táticas empregadas desde o início do ano sem alterar o curso da guerra.
A Jordânia emergiu como um ponto focal de instabilidade, funcionando como o principal hub logístico da Força Aérea americana devido à vulnerabilidade de bases no Golfo. Enquanto isso, o aeroporto Ben Gurion, em Israel, permanece como uma zona de exclusão de ataques, operando como um santuário para as operações regionais dos EUA.
O cenário é de terra arrasada. A destruição de fábricas de dessalinização — deixando milhares de iranianos sem acesso a água potável — não tem alcançado os objetivos declarados, como o desmantelamento dos programas nuclear e balístico de Teerã. Ao contrário, a severidade da resposta americana parece fornecer ao governo iraniano o argumento necessário para reforçar sua legitimidade interna.
A percepção é de que não há um plano de saída, nem uma nova diretriz estratégica. A recusa dos EUA em optar por uma invasão terrestre, combinada com a falha em paralisar o Irã apenas por ataques aéreos, coloca o conflito em um estágio de gestão da escalada. Embora analistas considerem que o objetivo inicial de promover uma troca de regime em Teerã tenha fracassado, as partes seguem operando com capacidade para intensificar o embate, mantendo o impasse sobre o controle do Estreito de Ormuz em aberto.




























































































