Montevideo, Uruguai – O Papa Leão XIV desembarca nesta sexta-feira (6) em solo latino-americano para sua primeira viagem oficial ao continente como chefe da Igreja Católica. O roteiro, que reacende memórias de seu tempo como missionário na região, começa pela Praça da Independência, em Montevidéu, onde o Pontífice tem o primeiro contato com os fiéis uruguaios. Até o próximo domingo (8), sua comitiva percorre ainda Paysandú e Florida.
Embora a expectativa fosse grande, o Brasil ficou de fora desta escala. O itinerário prioriza a Argentina e o Peru — este último, um local de forte significado pessoal por ter sido onde Leão XIV serviu como bispo e religioso agostiniano. A mobilização, porém, ultrapassa fronteiras. Grupos de fiéis, como os da paróquia Santa Terezinha, na Diocese de Novo Hamburgo, não esperaram uma vinda ao território brasileiro e percorreram cerca de 900 km para acompanhar a missa prevista para este sábado (7) em Paysandú.
Segundo o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, o propósito central desta sexta viagem internacional é lançar luz sobre as necessidades dos jovens, dos setores mais pobres da sociedade e da preservação dos povos amazônicos. Há, no horizonte do Vaticano, uma clara preocupação com a fragilidade das democracias regionais. Segundo o cardeal, a América Latina atravessa um momento crítico onde a superação de intensas polarizações sociais se tornou uma urgência humanitária.
A partir de segunda-feira (9), o Papa cruza a fronteira para a Argentina. O país, terra natal de seu antecessor, o Papa Francisco, não recebia uma visita papal há quase quatro décadas — a última ocorreu com São João Paulo II. O roteiro portenho inclui paradas estratégicas em Buenos Aires, Córdoba e Luján.
A jornada se encerra com uma estadia prolongada no Peru, entre 11 e 17 de novembro. O Pontífice passará por Lima, Cusco, Pucallpa e, com carga emocional dobrada, por Chiclayo. Foi nesta cidade que Robert Francis Prevost, o nome de registro civil de Leão XIV, deu seus primeiros passos como missionário. Após onze dias intensos de encontros e celebrações, o Papa retorna a Roma para retomar suas atividades no Vaticano.










