Morón, Venezuela – O chão tremeu na noite desta quarta-feira em diversos pontos da região Norte do Brasil, efeito direto de uma atividade sísmica severa na costa caribenha da Venezuela. A força do abalo, cujo epicentro foi localizado em Morón, viajou centenas de quilômetros, atravessando fronteiras e despertando o pânico em moradores de Roraima, Amazonas, Amapá e Pará. Em capitais como Belém e Macapá, além de cidades como Santarém, a reação imediata de muitos foi abandonar os edifícios por precaução.
O que ocorreu em solo venezuelano foi um evento de proporções raras. Foram dois grandes solavancos registrados em um intervalo de apenas 39 segundos: o primeiro atingiu 7,2 na escala Richter, seguido, quase instantaneamente, por outro de 7,5. Esse tipo de sequência, com energias similares e proximidade temporal, torna a percepção do movimento muito mais nítida para quem está em solo firme — ou em andares altos de prédios.
O professor George França, do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo, explica que a profundidade de 13 quilômetros é considerada rasa para padrões geológicos, o que explica a dissipação da energia por uma área vasta, chegando a um raio superior a 600 quilômetros. Além disso, a física das construções urbanas entra em cena: edifícios funcionam como pêndulos invertidos. Quando a frequência do terremoto encontra a “oscilação natural” da estrutura, ocorre um fenômeno de ressonância que acaba por amplificar a sensação de balanço.
Contudo, a preocupação imediata com a integridade das edificações brasileiras é relativizada por especialistas. Desde que as construções sigam rigorosamente as normas de engenharia civil vigentes no país, o risco de danos estruturais graves devido a abalos distantes é praticamente nulo. O problema surge quando o terreno ou o método construtivo favorece a amplificação da onda, tornando o susto inevitável.
A situação ainda exige cautela. Logo após os eventos principais, ao menos 30 réplicas foram contabilizadas. Embora a tendência seja de que esses desdobramentos possuam intensidades menores, a orientação técnica permanece a mesma: em caso de percepção de abalos, a evacuação ordenada é o protocolo de segurança padrão. O exercício de sair de forma segura, inclusive, deveria fazer parte da rotina de grandes centros urbanos, independentemente de eventos sísmicos.
Para a Venezuela, o episódio marca um recorde histórico. É o terremoto mais potente a atingir o território venezuelano desde o início dos registros sistemáticos, em 1900. O cenário atual mantém as autoridades em alerta, monitorando a possibilidade de novos tremores secundários nas próximas horas.




































































































