Brasília (DF) – O mercado paralelo de emagrecedores ganhou um novo capítulo perigoso nesta quarta-feira, 23 de outubro. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta severo contra a comercialização irregular de tirzepatida na forma de pó, substância que tem sido impulsionada em redes sociais sob promessas de emagrecimento rápido.
A tirzepatida autorizada no país atua como um agonista do receptor de GLP-1 e está disponível no mercado nacional apenas através do medicamento Mounjaro ou sob manipulação farmacêutica autorizada, sempre com exigência de prescrição médica. A oferta do composto na versão em pó, fora desses canais, carece de qualquer garantia sobre a autenticidade do fármaco.
Risco de contaminação domiciliar
A preocupação central da agência reside nos tutoriais que circulam na internet, ensinando consumidores a diluir o pó por conta própria. Essas instruções ignoram normas básicas de segurança sanitária, conduzindo o usuário a aplicar substâncias em casa sem o ambiente estéril necessário. A contaminação por fungos e bactérias, muitas vezes imperceptível a olho nu, é um risco real.
Para a Anvisa, o fato de o produto estar lacrado ou parecer limpo não assegura sua procedência. Sem passar por processos industriais de controle de qualidade e esterilidade, a substância pode conter impurezas desconhecidas. Como o insumo não foi submetido a qualquer avaliação do órgão regulador, não existe sequer a certeza de que a concentração do princípio ativo seja real ou segura para o organismo humano.
Expansão de ofertas irregulares
Além da tirzepatida, a agência identificou a promoção de outra substância nas redes: o peptídeo sintético CBL-514. Divulgado como um recurso para redução de gordura localizada, o composto sequer possui registro ou autorização de venda no Brasil. Atualmente, ele está restrito à fase 2 de ensaios clínicos, o que significa que seus efeitos, eficácia e nível de toxicidade ainda são objetos de investigação científica.
A orientação técnica é clara: apenas itens produzidos sob rigorosos protocolos podem ser administrados por via injetável. A utilização de substâncias manipuladas fora de condições controladas coloca o paciente diante de um cenário de infecções graves e danos imprevisíveis. O comércio ilegal dessas substâncias já é alvo de investigações policiais em diversas frentes, mas a recomendação atual é de cautela absoluta para quem consome conteúdo de saúde nas plataformas digitais.
O rigor da Anvisa serve como um lembrete de que atalhos em tratamentos médicos, especialmente aqueles que envolvem perfuração e acesso direto à corrente sanguínea, transcendem o risco estético e tocam diretamente na integridade física do paciente.











