Rio de Janeiro (RJ) – O Complexo de Israel, localizado na zona norte da capital fluminense, foi o foco central de uma mobilização policial nesta quarta-feira, 7 de agosto. A Operação Magen, deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público do Rio de Janeiro, teve como alvo um esquema estruturado de venda de armas e vazamento de informações sigilosas da segurança pública. O grupo, formado por agentes e ex-integrantes das forças de segurança, atuava diretamente em benefício da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP).
A investigação revelou uma engrenagem financeira robusta, voltada à ocultação de lucros ilícitos. Ao longo de quatro anos, os envolvidos movimentaram mais de R$ 250 milhões. Para legitimar o fluxo de caixa, a quadrilha utilizava cinco empresas de fachada operando nos setores de alimentação, construção, reforma e comércio de materiais. Diante da dimensão dos valores, a Justiça fluminense autorizou o bloqueio das contas ligadas aos investigados, além de decretar o sequestro de 31 veículos e três imóveis.
No balanço inicial da ação, cinco pessoas foram detidas. Entre os capturados, consta um policial militar da ativa, três ex-integrantes da corporação e um ex-funcionário comissionado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Durante o cumprimento das diligências, as autoridades apreenderam fuzis, carregadores e uma pistola. O traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, apontado como o líder do tráfico no Complexo de Israel, permanece foragido da justiça, assim como um segundo investigado.
A operação estendeu o alcance de suas buscas por diversos municípios. Ao todo, foram expedidos sete mandados de prisão preventiva e 18 ordens de busca e apreensão. As incursões ocorrem simultaneamente em quatro bairros da capital fluminense e em localidades da Baixada Fluminense e da Costa Verde, incluindo Nova Iguaçu, Mesquita, Nilópolis, Seropédica e Angra dos Reis.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público alcança 10 pessoas. O rol de crimes imputados aos investigados é extenso, abrangendo organização criminosa armada, comércio ilegal de armas de fogo e munições, agiotagem, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional.
Temendo que os foragidos tentem deixar o território nacional para escapar das sanções penais, o Ministério Público solicitou a retenção imediata dos passaportes de todos os alvos de prisão preventiva. A medida foi acompanhada por uma notificação à Polícia Federal para que os nomes dos suspeitos sejam incluídos no sistema da Interpol, restringindo as possibilidades de fuga internacional.












