Guarapari (ES) – Uma ofensiva da Polícia Civil da Bahia resultou na prisão de nove pessoas suspeitas de integrar uma complexa rede de tráfico de drogas que, mensalmente, escoava toneladas de entorpecentes vindos do Paraguai. O alcance da investigação revelou a participação de uma farmacêutica que exercia funções em um hospital da capital baiana, expondo como o braço logístico do crime tentava se infiltrar em setores profissionais.
A operação não se limitou às detenções. Foram cumpridos 37 mandados de busca e apreensão que culminaram na retirada de circulação de armas, balanças de precisão, maquinário para contagem de cédulas e dispositivos eletrônicos. O impacto financeiro contra o grupo foi severo: houve o bloqueio de R$ 25 milhões em patrimônio, além do confisco de 11 veículos ligados aos alvos.
O monitoramento das atividades criminosas revelou uma rota que atravessava o país. Cascavel, no Paraná, funcionava como um entreposto estratégico. Antes de abastecerem os pontos de venda na Bahia, os carregamentos faziam uma escala obrigatória na cidade paranaense. A logística era operacionalizada de forma simultânea, com buscas realizadas em Lauro de Freitas, Camaçari e Feira de Santana, além da base logística no Paraná.
O grupo adotava táticas deliberadas para contornar a vigilância das autoridades. A investigação descreve o uso recorrente de dezenas de imóveis e automóveis alugados como forma de criar um rastro falso e dificultar a localização dos integrantes da quadrilha. A estrutura contava com galpões dedicados ao armazenamento estratégico, enquanto uma frota própria de veículos assegurava que a mercadoria chegasse ao destino final.
Dois homens, identificados como os articuladores responsáveis por receber e gerir a distribuição das substâncias, estão entre os detidos. O fluxo de entorpecentes, segundo as apurações, não era restrito a uma única facção; o grupo funcionava como um fornecedor de larga escala, abastecendo diversas organizações criminosas que atuam no estado.
A operação representa um golpe significativo na infraestrutura logística de facções baianas, ao atingir não apenas a ponta da distribuição, mas também os ativos financeiros que sustentavam a operação. Com o bloqueio de milhões em bens, a Polícia Civil tenta desmantelar a capacidade de reinvestimento do grupo no tráfico de drogas sintéticas e ilícitos que chegavam através das fronteiras.












