São João das Missões (MG) – O norte de Minas Gerais tornou-se palco de uma operação coordenada pela Polícia Federal para desarticular um esquema de corrupção eleitoral. A ação, batizada como Voto Limpo, conta com o suporte da Procuradoria Regional Eleitoral e da Polícia Militar, concentrando suas diligências no município de São João das Missões. O objetivo é esclarecer possíveis irregularidades que teriam maculado o processo de escolha dos novos representantes locais.
O cumprimento das ordens judiciais ocorreu na última terça-feira, apenas dois dias após a conclusão da votação. Com autorização do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, os agentes realizaram três mandados de busca e apreensão. As equipes vasculharam endereços situados em São João das Missões e também na cidade vizinha de Januária. Durante as batidas, foram recolhidos dispositivos móveis, farto material gráfico e aproximadamente R$ 80 mil em espécie. Todo o montante e os itens apreendidos serão submetidos a perícia técnica nos próximos dias.
O gatilho para o inquérito veio de denúncias sobre dois eventos organizados no dia 3 de outubro, exatamente na véspera das eleições. Relatos apontam para a oferta de alimentos e bebidas de forma gratuita para a população. A suspeita é de que essas confraternizações tenham servido como fachada para a cooptação deliberada de eleitores, garantindo votos de forma ilícita.
Os investigadores trabalham com a hipótese de crime eleitoral, que engloba o oferecimento ou a aceitação de dinheiro, brindes ou qualquer vantagem em troca de sufrágio — ou, ainda, para induzir o cidadão à abstenção. Caso as provas confirmem a prática criminosa, os envolvidos podem ser condenados a penas de reclusão que chegam a quatro anos, acrescidas de sanções pecuniárias. O material agora sob posse da PF deve fornecer os elementos necessários para identificar os responsáveis pela organização desses eventos e determinar o alcance da suposta manipulação política na região.












