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Sociedade

Violência no Brasil mantém negros como principais vítimas e expõe vulnerabilidades

Por Redação / Diário da Nação
26 de maio de 2026
em Sociedade
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Violência no Brasil mantém negros como principais vítimas e expõe vulnerabilidades

📷 Paulo Pinto/Agência Brasil

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Ibatiba (ES) – O Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira, revela que a desigualdade estrutural e o preconceito racial continuam a ditar o ritmo da violência letal no Brasil. Apenas em 2024, o país contabilizou 32.820 homicídios de pessoas negras, um número que representa 77% de todas as mortes violentas registradas no período. Na prática, essa estatística se traduz em 89,9 vidas negras interrompidas diariamente, com uma taxa de 27,3 assassinatos para cada grupo de 100 mil pessoas.

Ao comparar os dados com o restante da população, o abismo fica evidente. Entre brancos, amarelos e indígenas, foram 9.234 mortes, resultando em uma taxa de 10,1 homicídios por 100 mil habitantes. Isso significa que um cidadão negro tem 2,7 vezes mais chances de ser vítima de um crime letal do que um não negro. Em estados como Alagoas, essa discrepância é ainda mais alarmante, com o risco chegando a ser 23,3 vezes maior. Entre 2014 e 2024, mais de 435 mil pessoas negras perderam a vida de forma violenta, enquanto o grupo de não negros somou cerca de 132 mil vítimas.

Desafios para populações vulneráveis

A violência não se limita ao recorte racial e atinge com severidade grupos específicos. No caso da população LGBTQIA+, o documento aponta uma falha crônica do Estado em registrar as motivações dos crimes, gerando uma invisibilidade que impede a criação de políticas públicas eficazes. Em 2024, as notificações de violência contra homossexuais e bissexuais somaram 10.250 registros, uma alta de 5,5% em relação ao ano anterior. Entre pessoas trans e travestis, o cenário também é preocupante, com 5.575 casos notificados, um crescimento de 2,5%.

A análise detalhada mostra que, dentro desse grupo, a interseccionalidade com a raça é um fator determinante. Pessoas negras correspondem a 67% das vítimas travestis e a 61% das mulheres transexuais que sofreram violência. Entre os homens trans, o índice de vítimas negras chega a 55%. Essa realidade expõe que a vulnerabilidade é multifacetada e exige um olhar atento das autoridades para as especificidades de cada vítima.

A fragilidade das pessoas com deficiência

Para as pessoas com deficiência, a violência sexual desponta como a forma mais grave de vitimização, especialmente entre mulheres. Entre aquelas com deficiência intelectual, quase 45% das notificações referem-se a abusos sexuais. A violência doméstica também domina o quadro, representando quase 68% dos casos de agressão física contra esse segmento. O levantamento indica que pessoas com deficiência intelectual e transtornos mentais, na faixa dos 10 aos 19 anos, são as mais expostas a esse tipo de violação.

O perfil da violência muda conforme a idade avança. Enquanto crianças de até 9 anos sofrem majoritariamente com negligência e abandono, adolescentes enfrentam picos de violência sexual. Já na vida adulta, entre os 20 e 49 anos, a agressão física passa a ser a modalidade predominante. A partir dos 60 anos, o abandono volta a crescer, atingindo níveis alarmantes entre os mais velhos, onde a negligência chega a representar 72,4% dos registros para pessoas acima de 80 anos.

Conflitos territoriais e indígenas

Os povos indígenas vivem um momento crítico, marcado por uma retomada no crescimento da letalidade após anos de estabilidade. Em 2024, a taxa de homicídios entre indígenas alcançou 24,6 por 100 mil, superando a taxa nacional de 20. O estado do Amazonas ilustra bem esse retrocesso, com o número de assassinatos de indígenas dobrando em apenas doze meses. Bahia também registrou um salto expressivo de 84,6%, confirmando que a violência contra esses povos está intrinsecamente ligada a disputas territoriais e conflitos ambientais.

A violência contra as mulheres indígenas segue uma tendência de alta contínua. A agressão física, que somava 359 casos em 2014, atingiu 1.330 registros em 2024. Mais preocupante ainda é o crescimento exponencial da violência sexual, que saltou de 115 para 669 casos na última década. O agravamento na forma como essas agressões ocorrem, tornando-se mais invasivas, sinaliza uma urgência na proteção dessas comunidades.

O envelhecimento e o perigo das quedas

O envelhecimento da população brasileira trouxe um novo desafio para as estatísticas de mortalidade. Embora os homicídios contra idosos tenham diminuído 13,3% nos últimos 11 anos, as mortes por quedas tornaram-se uma preocupação crescente. O número de óbitos dessa natureza explodiu em comparação aos índices de violência interpessoal. Para as mulheres idosas, as mortes por queda cresceram 630% desde o ano 2000. Essa mudança de paradigma exige que o Estado direcione esforços não apenas para o combate à violência, mas também para políticas de prevenção de acidentes domésticos, garantindo que o envelhecimento ocorra com dignidade e segurança.

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