Nova Iorque, Estados Unidos – O cenário da segurança global está mudando rapidamente, e as defesas tradicionais lutam para acompanhar essa evolução. Durante a Semana de Combate ao Terrorismo, na sede da ONU, em Nova York, mais de mil participantes de 119 países se reuniram para traçar novas linhas de ação. O diagnóstico coletivo é preocupante: grupos extremistas estão se adaptando com velocidade digital, exigindo uma resposta que vai além das fronteiras físicas.
O alerta sobre a sofisticação dessas ameaças ganhou tom de urgência no discurso de Alexandre Zouev, subsecretário-geral interino das Nações Unidas para o Combate ao Terrorismo. Segundo ele, organizações como a Al-Qaeda e o Daesh continuam resilientes porque aprenderam a explorar fraturas sociais, crises de governabilidade, desigualdades financeiras e novas tecnologias emergentes.
A ameaça digital e a inteligência artificial
O avanço tecnológico tornou-se uma ferramenta de recrutamento e captação de recursos. Zouev destacou que esses grupos já utilizam ferramentas de inteligência artificial e realizam operações que colocam em risco a cibersegurança global. Diante desse cenário, o secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um apelo para que os Estados-membros assumam um compromisso ativo e coletivo, pautado na prevenção mútua e no respeito aos direitos humanos.
A discussão ocorre em um momento simbólico, que marca o 20.º aniversário da Estratégia Global das Nações Unidas contra o Terrorismo. Embora o dever de proteger as populações seja de cada governo, o debate em Nova York evidenciou que o sucesso a longo prazo depende da inclusão de atores frequentemente ignorados no planejamento de defesa, como as próprias vítimas dos atentados e as lideranças femininas.
Voz das vítimas e igualdade de gênero
Médica e integrante da Rede de Associações de Vítimas do Terrorismo (VoTAN), Fatima Ali Haider defendeu que as vítimas deixem de ser apenas estatísticas e passem a colaborar ativamente na formulação de políticas públicas de segurança. Especialista em estudos de paz e conflitos, Haider apontou a ausência histórica de mulheres nos espaços de decisão estratégica como uma falha grave do sistema atual.
Para ela, é preciso redesenhar a arquitetura de segurança global para garantir que as mulheres ocupem posições de liderança em todas as instâncias — desde as comunidades locais e órgãos de segurança nacional até as cadeiras do Conselho de Segurança.

































































































