Caraballeda, Venezuela – O chão parou de tremer na Venezuela, mas o pesadelo de quem sobreviveu aos terremotos de magnitude 7.2 e 7.5, ocorridos em 24 de junho, está longe do fim. Sem teto, cerca de 40% das 15.866 pessoas afetadas ou deslocadas pelos tremores agora improvisam abrigo nas ruas, praças ou em estruturas precárias como escolas e igrejas sem condições básicas de higiene e privacidade.
O balanço oficial aponta um cenário devastador: 1.719 mortos e pelo menos 5.034 feridos. Na região de La Guaira, a mais atingida pelos tremores, a comida começou a faltar e os serviços essenciais pararam de funcionar, isolando as comunidades e gerando tensão social. Há também um alerta grave sobre o paradeiro de crianças desacompanhadas e separadas de seus pais em meio ao caos.
Hospitais superlotados e risco de surtos
A estrutura de saúde do país, que já enfrentava gargalos, entrou em colapso rápido. Avaliações feitas em 21 unidades médicas de Caracas, La Guaira, Miranda e Falcón revelaram que três estão em situação crítica e seis sofreram danos estruturais severos. Os hospitais operam muito além do limite, enfrentando superlotação crônica, atrasos em cirurgias de urgência e exaustão extrema das equipes médicas. Para agravar a situação, vários profissionais de saúde em La Guaira continuam desaparecidos, comprometendo seriamente o atendimento obstétrico e materno.
Os necrotérios e serviços forenses também pararam de funcionar de forma adequada, dificultando o registro de desaparecidos. Especialistas alertam para o risco iminente de surtos de doenças como sarampo, difteria, coqueluche e febre amarela, além de enfermidades transmitidas por mosquitos e água contaminada, a exemplo de dengue, chikungunya, zika, malária e oropouche. A baixa cobertura vacinal anterior aos tremores agrava o perigo.
Mobilização internacional de emergência
Para mitigar a tragédia, uma ampla operação de ajuda humanitária foi acionada. Cerca de 15 milhões de dólares foram liberados por fundos de emergência para iniciar o socorro imediato. Em La Guaira, foram montados três postos de atendimento para as famílias desabrigadas, enquanto mais de 40 equipes de busca e salvamento vindas de 27 países atuam nos escombros.
O suporte alimentar conta com um estoque de 3 mil toneladas de mantimentos, volume estimado para abastecer 10000 famílias por dois meses. Paralelamente, recursos que somam 2,5 milhões de dólares foram destinados para atender cerca de 650 mil pessoas, incluindo 234 mil crianças. Medicamentos, oxigênio e combustível começam a ser distribuídos para reestruturar as unidades de saúde que ainda conseguem receber pacientes.
































































































