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Saúde

Campanha nacional busca estimular aleitamento materno

Por Redação / Agência Brasil
1 de agosto de 2022
em Saúde
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Reconhecido há anos como uma referência mundial em termos de estímulos ao aleitamento materno, o Brasil busca avançar para garantir que as mães, principalmente aquelas que trabalham fora de casa, tenham condições para amamentar seus filhos pelo máximo de tempo possível.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que os bebês sejam alimentados exclusivamente com leite materno até os 6 meses de idade. E que, mesmo após a introdução dos primeiros alimentos sólidos, sigam sendo amamentados até, pelo menos, os 2 anos de idade.

Segundo o Ministério da Saúde, o aleitamento materno é a forma de proteção mais econômica e eficaz contra a mortalidade infantil, protegendo as crianças de diarreias, infecções respiratórias e alergias, entre outras doenças.

De acordo com o ministério, em 1986, o percentual de crianças brasileiras com menos de 6 meses alimentadas exclusivamente com leite materno não passava de 3%. Em 2008, já tinha atingido os 41%. Atualmente, a amamentação exclusiva chega aos 46%. Percentual próximo aos 50% que a OMS estipulou como meta a ser atingida pelos países até 2025. Além disso, seis em cada dez (60%) crianças são amamentadas até completar 2 anos de idade.

“Para nós, o Brasil é uma referência. Pensamos que o país tem a melhor legislação do mundo, o que faz toda a diferença. E há um investimento por parte de várias organizações e do Ministério da Saúde para que essa legislação seja realmente implementada”, disse a representante da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) no Brasil, Socorro Gross, ao participar, hoje (1º), em Brasília, do lançamento da Campanha Nacional de Aleitamento Materno.

A representante da Opas no Brasil Socorro Gross durante lançamento da Campanha de Enfrentamento às Hepatites Virais, no ministério da Saúde
A representante da Opas no Brasil Socorro Gross durante lançamento da Campanha de Enfrentamento às Hepatites Virais, no ministério da Saúde

A representante da Opas no Brasil, Socorro Gross – Valter Campanato/Agência Brasil

Coordenada pelo Ministério da Saúde, a iniciativa visa a esclarecer e conscientizar a população sobre a importância da amamentação, e se insere na Semana Mundial do Aleitamento Materno, promovida pela Aliança Global pela Amamentação (Waba). Este ano, a campanha nacional, que tem como lema Fortalecer a Amamentação: Educando e Apoiando, foca não só nos pais, mas também nos trabalhadores da saúde.

“Mães e pais sabem a importância de um profissional bem orientado abordar as dúvidas recorrentes no momento inicial da amamentação. Seja para mães de primeira viagem, seja para aquelas que já têm mais de um filho, [a orientação é importante] pois amamentar é sempre diferente. A cada [novo] filho, algo é diferente”, disse a coordenadora de Saúde da Criança e Aleitamento Materno do Ministério da Saúde, Janini Selva Ginani.

Engajamento

Janini destacou a importância do engajamento dos profissionais de saúde para melhorar o índice de recém-nascidos amamentados durante a primeira hora de vida.

“No Brasil, nossa prevalência de aleitamento materno na primeira hora de vida é de 62%. É um dado muito superior às médias mundiais, mas que ainda precisamos melhorar, pois é importante esse estímulo, esse primeiro aleitamento durante o que chamamos de A Hora de Ouro”, ressaltou Janini.

A presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Rossiclei Pinheiro, também destacou a importância da capacitação dos profissionais da saúde e de outros agentes para promover a amamentação na primeira hora de vida.

“As dificuldades [e as dúvidas que surgem] nas primeiras horas, nos primeiros dias [após o nascimento], quando há maior risco de desmame, precisam ser acompanhadas por profissionais de saúde bem preparados”, defendeu Rossiclei. “Precisamos estimular cada vez mais a amamentação na primeira hora de vida, independentemente do parto ser normal ou cesárea, pois a ciência já demonstrou que os bebês que mamam na primeira hora conseguem ter mais sucesso [em seguir] na amamentação exclusiva até 6 meses.”

Em nota, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) manifestou apoio às iniciativas. “Enfermeiros, parteiras, técnicos e auxiliares de enfermagem já são atores-chave no manejo da amamentação e dos bancos de leito humano. Nosso esforço é garantir que tenham informação e formação humana necessárias para realizar esse papel crucial”, disse a presidente da entidade, Betânia Santos.

“Além de orientar a mãe e atuar no manejo da amamentação, é importante também envolver os familiares no apoio à amamentação. O cuidado com o bebê passa pelo cuidado com a recém-mãe”, acrescentou a conselheira federal Ivone Amazonas, na mesma nota.

Licença maternidade

Eu suas falas durante o evento, as representantes do Ministério da Saúde, Janini Selva Ginani, e da SBP, Rossiclei Pinheiro, também destacaram a necessidade de garantias legais que protejam e estimulem as trabalhadoras a amamentar seus filhos, como a concessão de licença trabalhista que permita que elas se dediquem às crianças pelo máximo de tempo possível.

A coordenadora-geral de saúde perinatal e aleitamento materno, Janini Selva, durante o lançamento da Campanha Nacional de Aleitamento Materno 2022.
A coordenadora-geral de saúde perinatal e aleitamento materno, Janini Selva, durante o lançamento da Campanha Nacional de Aleitamento Materno 2022.

A coordenadora-geral de Saúde Perinatal e Aleitamento Materno, Janini Selva – Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Licenças maternidade inferiores a 6 semanas aumentam em 400% a probabilidade da mulher não amamentar o seu filho ou [recorrer ao] desmame precoce”, alertou Janini, pontuando que, no Brasil, já há exemplos de boas práticas, tais como as empresas cidadãs, estimuladas a conceder 180 dias de licença às funcionárias gestantes – 60 dias além dos 120 previstos em lei. “A questão das trabalhadoras informais, contudo, é [um aspecto] no qual precisamos avançar para protegê-las.”

O secretário nacional de Atenção Primária à Saúde, Raphael Câmara, fez um alerta. “Na condição de ginecologista, peço especial atenção e carinho a aquelas mulheres que não conseguem amamentar, a fim de evitarmos discriminações. Portanto, não dá para ficar falando que toda mulher consegue amamentar, pois, por diferentes motivos, há as que não conseguem e é importante não colocá-las numa posição de que serão menos mães por causa disso.”

A jornalista Maria Clara Fagundes proporcionou a amamentação prolongada às duas filhas, mas pôde vivenciar as vantagens de passar mais tempo afastada do trabalho após dar à luz a sua segunda menina.

“Minha filha mais velha que, hoje, está com 8 anos, mamou até os 4. Ela foi reduzindo a demanda gradualmente, mas antes nós tivemos problemas devido a uma interrupção. Tive que sair de licença antes do parto e, por isso, voltei a trabalhar antes dela completar 4 meses. Embora eu a tenha deixado em uma boa creche, acho que ela ficava sem mamar por um intervalo de tempo muito longo. A partir daí, ela adoeceu, perdeu peso, teve uma bronquiolite severa. Foi traumático para nós duas. E ela só se recuperou quando eu mudei de trabalho, passei a deixá-la em casa, com uma babá, e a ir amamentá-la com mais regularidade. Já com a mais nova, não houve essa interrupção. Ela está com 3 anos e até hoje continua mamando ao acordar e na hora de dormir. Acredito que poder amamentá-la por livre demanda até os 2 anos foi muito positivo, pois ela não sofreu com nada grave, não teve as coisas que a minha mais velha teve após a precoce redução da amamentação”, disse a jornalista à Agência Brasil, destacando a necessidade da gestante contar com o apoio de uma ampla rede de apoio. “Amamentar é difícil. Exige muita energia e é um trabalho em tempo integral.”

Tags: AleitamentoamamentaçãoCampanhaMinistério da SaúdeOMSOPASSaúde
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