Vila Velha (ES) – Um terço da população que convive com o diabetes no país desenvolverá problemas na retina ao longo da vida. O dado acende um alerta sobre uma das principais causas de cegueira passível de prevenção entre trabalhadores na ativa. Para frear o avanço do problema, uma iniciativa chamada 24 Dias pelo Diabetes começa no próximo domingo (1º) e segue até o fim de novembro com foco em orientações práticas de prevenção e diagnóstico.
O estrago na visão começa quando o excesso de açúcar na corrente sanguínea corrói, paulatinamente, os microvasos da retina. Essa estrutura interna do olho é a responsável por capturar a luz e traduzir em imagens para o cérebro. Nas etapas iniciais, o processo ocorre de maneira totalmente silenciosa, sem qualquer dor ou turvação na vista que denuncie o perigo.
A ausência de sinais precoces costuma atrasar a ida ao consultório médico. Especialistas alertam que a condição tem alto impacto social, afasta pessoas do mercado de trabalho e sobrecarrega o Instituto Nacional do Seguro Social e as políticas públicas de saúde.
As estatísticas variam de 24% a 39% de incidência geral no país. O fator tempo é determinante: após duas décadas de convivência com a enfermagem, nove em cada dez pessoas com diabetes tipo 1 apresentarão algum grau de lesão, assim como seis em cada dez diagnosticadas com o tipo 2. Quando o diagnóstico e a intervenção ocorrem cedo, a probabilidade de perda total da visão despenca para menos de 5%.
A principal ferramenta de detecção é a fundoscopia, conhecida popularmente como exame de fundo de olho. O procedimento exige a dilatação das pupilas para que o médico examine detalhadamente os vasos sanguíneos da retina, conseguindo flagrar anomalias mesmo quando o paciente ainda enxerga perfeitamente.
As diretrizes determinam calendários específicos de rastreio. Quem descobre o diabetes tipo 2 precisa fazer a avaliação imediatamente. No caso de adultos com tipo 1, a checagem deve iniciar cinco anos após a confirmação do quadro. Para crianças e adolescentes, o primeiro exame precisa ocorrer até cinco anos após a instalação da doença ou no início da puberdade. Gestantes com diabetes exigem atenção redobrada, com avaliações a cada trimestre e no primeiro ano após o parto, enquanto mulheres com diabetes gestacional geralmente ficam dispensadas dessa triagem específica.
A rotina de proteção à visão também depende de escolhas diárias longe dos consultórios. O controle rígido da glicemia e da pressão arterial reduz drasticamente a velocidade de degradação dos vasos oculares. A adoção de uma dieta rica em fibras, vegetais e legumes, aliada ao corte de ultraprocessados, açúcar e sal, compõe a base do cuidado. Abandonar o cigarro, moderar o álcool, manter o peso adequado, dormir bem e gerenciar o estresse completam a estratégia de preservação.
No âmbito da saúde pública, o percurso começa nas unidades básicas ou por meio da Estratégia Saúde da Família, que canalizam o paciente para o especialista via sistema de regulação. Já na rede privada, o acesso ocorre diretamente com profissionais credenciados pelos planos de saúde, cuja cobertura para exames oftalmológicos é garantida pelas normas regulatórias vigentes.












