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Saúde

Febre do Nilo Ocidental acende alerta de saúde em SP mas especialistas descartam pânico

Primeiros registros no estado paulista elevam vigilância sobre arbovírus enquanto autoridades reforçam monitoramento de casos graves

Por Redação / Diário da Nação
26 de agosto de 2026
em Saúde
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Febre do Nilo Ocidental acende alerta de saúde em SP mas especialistas descartam pânico

📷 MS/Divulgação

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São Paulo (SP) – Embora a febre do Nilo Ocidental seja uma velha conhecida na África, onde circula há pelo menos 90 anos, a doença ainda é uma novidade pouco comum no cenário epidemiológico brasileiro. A confirmação de dois casos no estado de São Paulo — uma mulher de 34 anos, de Ribeirão Preto, e uma adolescente de 18 anos, de São José do Rio Preto — marca um momento inédito para a saúde pública estadual, mas não deve ser motivo para alarmismo.

Furtado da Costa, médico infectologista do Hospital das Clínicas da FMUSP, pondera que, apesar da gravidade latente e de um óbito registrado em Santa Catarina, a grande maioria dos pacientes apresenta quadros leves. A estatística joga a favor da tranquilidade: menos de 1% das infecções evoluem para as formas mais severas da doença.

O vírus causador da febre é um arbovírus, integrante da mesma linhagem de patógenos responsáveis pela dengue, zika e chikungunya. A transmissão segue um ciclo biológico bem definido: o mosquito do gênero Culex — conhecido popularmente como pernilongo ou muriçoca — atua como vetor ao picar aves infectadas, que servem como reservatórios naturais do vírus, e, posteriormente, transmitir o agente infeccioso ao ser humano.

A apresentação clínica é bastante variável. Cerca de 80% das pessoas picadas pelo vetor infectado sequer desenvolvem sintomas. Quando os sinais aparecem, o espectro é amplo: desde um mal-estar generalizado, febre, náuseas e dores musculares até quadros neurológicos alarmantes, como meningite, encefalite, convulsões ou rebaixamento do nível de consciência. É nessas situações críticas que o suporte hospitalar, frequentemente em unidades de terapia intensiva, torna-se imprescindível para a sobrevivência do paciente.

Atualmente, não há vacinas ou tratamentos antivirais específicos voltados ao combate do vírus do Nilo Ocidental. O manejo clínico é estritamente de suporte, focado na hidratação intravenosa e na mitigação dos sintomas, o que exige um diagnóstico preciso baseado na avaliação médica e no histórico de exposição em áreas de risco. A escassez de casos globais, quando comparada à escala epidêmica da dengue, desencoraja o investimento em pesquisas farmacológicas direcionadas para imunizantes.

No caso das pacientes diagnosticadas em São Paulo, o Centro de Vigilância Epidemiológica Prof. Alexandre Vranjac está em campo para rastrear a origem da infecção. A paciente de Ribeirão Preto, que possui histórico de viagem recente à região amazônica, já se recuperou. Já a jovem de São José do Rio Preto permanece internada para acompanhamento médico.

Tatiana Lang D’Agostini, diretora do órgão, reforça que o trabalho conjunto entre as esferas municipal e estadual é o eixo central para conter possíveis focos de transmissão. Além da vigilância em humanos, o monitoramento deve ser estendido ao meio ambiente, observando especialmente a mortalidade atípica de aves em determinadas regiões. O Ministério da Saúde, por sua vez, mantém o monitoramento constante em todo o país, observando também um caso provável no Piauí, enquanto reforça que o contato casual com pássaros não é suficiente para contrair a infecção.

Tags: arboviroseCulexFebre do NiloSão PauloSaúde Pública
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