Ibatiba (ES) – O ambiente virtual tornou-se um território hostil para a deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT). Aos 21 anos, a mineira de Divinópolis optou por retirar seu perfil oficial da rede social X nesta semana, após ser alvo de uma ofensiva sistemática que incluía ameaças de morte e violência sexual. O caso, que já está sob investigação da Polícia Civil de Minas Gerais, revela o alcance da violência política direcionada a mulheres que ocupam espaços de poder.
A situação escalou drasticamente após a ida da parlamentar a Brasília, no dia 8 de novembro, para intensificar o apoio à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. A partir daquele momento, sua equipe passou a contabilizar novas investidas a cada dois minutos. Ana Elisa descreveu o cenário como insustentável, destacando que o engajamento cívico não deveria ser sinônimo de perigo iminente à integridade física.
A parlamentar, que ainda não conta com escolta de segurança oficial, admite sentir-se em estado de vulnerabilidade acentuada. Em setembro, ela já havia tornado públicos os registros de um e-mail recebido, no qual o remetente, autointitulando-se integrante da Ku Klux Klan, detalhava ameaças explícitas de estupro e expressava intolerância à presença de mulheres negras na política.
Trajetória e recordes
A ascensão de Ana Elisa na esfera pública é marcada por números expressivos. Com 524.219 votos em 2026, ela conquistou a segunda maior votação para a Câmara dos Deputados em Minas Gerais, posicionando-se logo atrás de Nikolas Ferreira (PL). Além do desempenho eleitoral, ela detém o recorde de deputada federal mais jovem da história do Brasil e a mulher mais votada no estado para o Legislativo federal.
Antes de se tornar um fenômeno digital com mais de 3 milhões de seguidores no Instagram — rede onde pauta temas como feminismo, racismo e direitos sociais —, a estudante de Direito dividia sua rotina entre os estudos e o estágio no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG). O interesse pela política surgiu ainda na infância, acompanhando a mãe em atividades sindicais.
O crescimento da violência política
O episódio protagonizado por Ana Elisa não é isolado. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que a violência política de gênero registrou um aumento de 11 vezes entre 2022 e 2026. Em setembro passado, diversas organizações da sociedade civil formalizaram um documento junto ao Tribunal denunciando o padrão de agressões físicas, verbais e ameaças que atingiram candidatas de diferentes espectros ideológicos durante a última campanha.
Diante do cenário de risco, órgãos de controle reforçam os canais de denúncia. A Central de Atendimento à Mulher, acessível pelo número 180, mantém plantão ininterrupto para orientações. Outras instâncias, como a Ouvidoria Nacional da Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral Eleitoral, também estão aptas a receber comunicações sobre crimes de gênero. Em situações de perigo imediato, a orientação é o acionamento direto da Polícia Militar pelo 190.












