Rio de Janeiro (RJ) – A orla de Copacabana, um dos cartões-postais mais conhecidos do Rio de Janeiro, transformou-se neste domingo (18) no palco de uma grande mobilização em defesa do processo democrático e da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O evento, que misturou música e discursos políticos, reuniu milhares de pessoas sob o comando do cantor Caetano Veloso, acompanhado por nomes de peso da música brasileira, como Djavan, Duda Beat e Marina Sena.
Caetano aproveitou a oportunidade para rememorar o período de repressão vivido durante a ditadura militar, quando chegou a ser detido ao lado de Gilberto Gil. Para o músico, o ato não se resumia apenas a uma campanha eleitoral, mas a uma forma de resistência ativa contra as ameaças às instituições. O tom da tarde foi complementado por Djavan, que enfatizou a importância da preservação da soberania nacional diante de possíveis interferências externas.
A tensão do momento político também pautou as falas da atriz Leticia Sabatella. Em seu discurso, ela estabeleceu um contraste entre as candidaturas em disputa, apontando uma incompatibilidade entre um projeto de governo alinhado a políticas sociais e a postura da oposição, a qual ela associou à exaltação da tortura e à ausência de propostas estruturadas para o país. Duda Beat, por sua vez, preferiu destacar a força coletiva do movimento, descrevendo a presença da multidão na areia como uma resposta direta das urnas.
O impacto da mobilização extrapolou os palcos. Alejandro Guerrero, diretor de comunicação da União Nacional dos Estudantes (UNE), viajou do Rio Grande do Sul para reforçar o coro. Na visão do estudante, o país enfrenta uma encruzilhada histórica entre o que ele classificou como a defesa da soberania nacional e o risco do que chamou de entreguismo e autoritarismo.
Horas antes, na região central da capital fluminense, outra concentração de peso já havia tomado a Praça da Candelária. Trabalhadores e estudantes se uniram em um ato que antecipou o clima visto na zona sul. Entre os presentes, histórias pessoais revelavam a motivação por trás do apoio. Laura Guimarães, de 27 anos, compareceu à manifestação com o marido e o filho de 5 anos, carregando consigo os símbolos dos programas sociais de gestões petistas anteriores. A esteticista relatou como o auxílio governamental foi um ponto de virada para sustentar sua família e consolidar seu próprio negócio após um período de grandes dificuldades financeiras.
O sentimento de expectativa também ecoou nos corredores das universidades federais. Andressa da Paz, estudante da UFRJ, descreveu o cotidiano no campus do Fundão sob a atual gestão federal como um cenário de desmonte e falta de infraestrutura básica. Ao olhar para o futuro próximo, ela projeta o dia 25 de outubro como um marco de mudança, alimentada por uma esperança que parece guiar grande parte daqueles que ocuparam as ruas do Rio durante todo o dia.












