São Paulo (SP) – A música popular brasileira perdeu um de seus nomes mais singulares neste domingo (18). Benito di Paula, pianista, cantor e compositor, faleceu aos 84 anos enquanto estava sob cuidados médicos no Hospital 9 de Julho, na capital paulista. O artista lutava contra um câncer há aproximadamente um ano.
Nascido sob o nome de batismo Uday Vellozo em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, ele consolidou sua carreira entre as décadas de 1970 e 1980. Foi nesse período que seu estilo particular — uma fusão elegante entre o samba e a balada romântica — ganhou as paradas de sucesso, estabelecendo-o como uma figura central do cenário nacional.
Sua marca registrada era a combinação da sonoridade do piano com uma voz grave e inconfundível. Essa assinatura musical permitiu que ele se tornasse um dos maiores expoentes do movimento conhecido como samba-joia, uma vertente que dominou a preferência do público na época e provou a força comercial e artística de seu trabalho.
Ao longo de cinco décadas de estrada, Benito não apenas compôs, mas moldou a trilha sonora de gerações. Obras como Retalhos de Cetim, Charlie Brown, Se Não For Amor e Vai Ficar na Saudade permanecem como marcos de sua trajetória, mantendo-se vivas na memória afetiva de milhares de ouvintes. O estilo que desenvolveu, embora tenha gerado debates críticos na época, revelou-se um fenômeno de aceitação popular que atravessou o tempo.
A morte do pianista encerra um ciclo criativo de longevidade rara na música brasileira. Ele deixa como herança uma discografia que equilibrou o refinamento do piano com a simplicidade da crônica cotidiana, características que, somadas à sua capacidade de interpretação, garantiram a Benito di Paula um lugar cativo na história da cultura do país.












