São Raimundo Nonato (PI) – O Parque Nacional Serra da Capivara, um vasto território de 129 mil hectares que abriga mais de mil sítios arqueológicos catalogados, é o tema central da edição do programa Caminhos da Reportagem que vai ao ar nesta segunda-feira (19), às 23h30. A produção, realizada pela TV Antares, explora como as pinturas rupestres — algumas datadas entre 3,5 mil e 12 mil anos — servem como registros fundamentais sobre os primeiros habitantes do continente americano.
Ocupando uma área que equivale a quase 80 mil campos de futebol, o parque é reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco. A preservação dessa memória histórica, no entanto, carrega o peso de cinco décadas de dedicação da arqueóloga Niède Guidon. Mesmo após sua morte, em junho de 2025, o trabalho de proteção segue sob a curadoria de pesquisadores e colaboradores locais, como a arqueóloga Gisele Felice, que destaca o caráter generoso de Guidon na transmissão de conhecimento técnico.
Para o dentista Rodrigo Camazan, que visitou a região pela primeira vez, a experiência vai além do turismo convencional. Ele descreve o desejo recorrente de compreender as conexões entre o presente e o passado remoto, um sentimento compartilhado pelos visitantes que circulam por São Raimundo Nonato e Coronel José Dias. Nesses municípios, o roteiro cultural se estende aos museus locais: o Museu do Homem Americano, que expõe esqueletos e fósseis, e o Museu da Natureza, conhecido por suas tecnologias interativas que simulam voos panorâmicos sobre o terreno árido.
A imponência da Caatinga também serve de palco para a Ópera da Serra da Capivara. Em sua sétima edição, o espetáculo Cleópatra Rainha Caatingueira fundiu elementos do Egito Antigo com o cenário sertanejo. Sádia Castro, organizadora do evento, explica que a escolha temática busca dialogar com as pesquisas de Guidon, que apontavam para as origens africanas dos primeiros grupos que ocuparam a América. A encenação, que reuniu cerca de 50 artistas brasileiros durante quatro noites, transformou a paisagem rochosa em um teatro a céu aberto.
O impacto emocional do espetáculo é um ponto frequente nos relatos de quem esteve lá. Visitantes como a cirurgiã-dentista Rose Braga e o empresário Bernardo Boljean reforçam a importância de valorizar o patrimônio nacional. Para Boljean, que já presenciou diversas produções internacionais, a união entre a natureza, a história arqueológica e a tecnologia gráfica presente no parque oferece uma vivência singular, capaz de despertar um orgulho profundo nas raízes brasileiras.












