Um levantamento realizado pelo Observatório Lupa revelou uma ofensiva coordenada de desinformação contra o PL 896/2023, conhecido como PL da Misoginia. Entre março e abril de 2026, pesquisadores monitoraram mais de 289 mil publicações no X, além de conteúdos no Facebook, Instagram e Threads, identificando teorias conspiratórias e o uso de inteligência artificial para distorcer os objetivos da proposta aprovada pelo Senado.
O projeto visa tipificar a misoginia — definida como a aversão ou ódio contra mulheres — dentro da Lei do Racismo, prevendo penas de dois a cinco anos de prisão. Contudo, a estratégia de desinformação, impulsionada por figuras como o deputado Nikolas Ferreira, associou o texto a outras propostas inexistentes. Um vídeo do parlamentar, que chegou a 751 mil visualizações em 24 horas, criou uma narrativa falsa sobre as consequências legais do projeto antes de ser removido.
O estudo aponta que o medo é o principal motor de engajamento, com alegações infundadas de que o PL criminalizaria desde comentários sobre TPM até trechos bíblicos, ou que causaria demissões em massa. Além de políticos como Flávio Bolsonaro e Lucas Pavanato, influenciadores digitais têm utilizado a retórica redpill para retratar a lei como uma ameaça aos homens, ignorando que o texto foca em condutas discriminatórias que geram humilhação ou medo.











