Brasília (DF) – O cenário da radiodifusão pública no país mudou de patamar nos últimos meses. Em um balanço apresentado na manhã desta quarta-feira (1º), em Brasília, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o Ministério das Comunicações (MCom), a Anatel e a Rede Legislativa detalharam o avanço do programa Brasil Digital. A iniciativa, desenhada para derrubar barreiras de acesso ao sinal de televisão, consolidou a maior expansão da história da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP).
Os números revelam uma transformação expressiva no alcance da informação estatal. Desde dezembro de 2025, o projeto viabilizou a instalação de 55 novas estações transmissoras. O resultado prático dessa operação alcançou 147 municípios e impactou diretamente 10,4 milhões de pessoas. Dentro dessa estratégia, 52 estações foram voltadas especificamente para a RNCP, garantindo que 7,5 milhões de cidadãos, distribuídos em 123 cidades, tivessem acesso à programação pública pela primeira vez com qualidade digital.
A estrutura oferecida às localidades contempladas é robusta. Cada ponto de transmissão opera com multiprogramação, entregando ao espectador a grade da TV Brasil, além do Canal Gov, Canal Saúde e Canal Educação. O serviço é complementado pela Rede Legislativa, que leva ao ar a TV Câmara, a TV Senado, a TV Assembleia e a programação das Câmaras de Vereadores locais. O cronograma do governo é ambicioso: a meta é inaugurar mais 75 estações até o final deste ano, cobrindo lacunas históricas em diferentes regiões.
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, enfatizou que a tecnologia é, antes de tudo, um reforço ao jornalismo profissional e à democracia. Para ele, oferecer um sinal estável e de alta qualidade é um contraponto direto à desinformação que circula em outras mídias. A diretora-presidente da EBC, Antonia Pellegrino, reforçou essa leitura, definindo a expansão como uma pauta de cidadania. Segundo a executiva, a política pública alcançou mais de 100 municípios que antes estavam fora do alcance dessa rede.
A colaboração técnica também foi celebrada como um ponto de virada. O conselheiro da Anatel e presidente do Gired, Octavio Pieranti, relembrou a escalada do projeto: enquanto em 2024 apenas uma estação foi aberta, o salto para o primeiro semestre de 2026 — com 52 inaugurações — reflete um esforço concentrado sem precedentes. O impacto é tamanho que estados como o Amazonas já alcançaram a universalização, com todos os seus municípios integrados ao sinal digital por meio do Sistema Encontro das Águas.
Para o secretário de Políticas Digitais da Secom, João Brant, o sucesso do Brasil Digital reside na construção de um ecossistema informacional mais plural. O modelo de expansão adota uma lógica horizontal, prevista na Lei nº 11.652/2008, que prioriza a integração entre emissoras federais, estaduais e universitárias. Esse formato permite que a diversidade cultural do país não seja apenas um espectador, mas o próprio elemento estruturante da grade.
O evento também reservou espaço para o futuro. Após o balanço, autoridades visitaram a estação experimental da TV 3.0, instalada na Torre de Televisão de Brasília. A tecnologia, sucessora do sinal digital implementado em 2007, promete fundir a transmissão aberta com a conectividade da internet. A EBC lidera essa fase de testes, que deve culminar na criação de uma plataforma integrada de comunicação pública, unindo canais federais, serviços digitais do Estado e o catálogo audiovisual do Tela Brasil, do Ministério da Cultura.












