Brasília (DF) – O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) lançou uma chamada pública focada em financiar estudos e inovações voltados ao enfrentamento da endometriose, da dor pélvica e de questões relativas à saúde menstrual. O objetivo central da iniciativa é desenvolver tecnologias e soluções que possam ser efetivamente incorporadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), melhorando a assistência oferecida à população feminina no país.
O montante total disponível para o fomento chega a R$ 60 milhões. Deste valor, R$ 50 milhões são aportados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, enquanto outros R$ 10 milhões são provenientes do grupo Alana. A estratégia é utilizar esse financiamento para edificar uma rede nacional de pesquisa, estruturada justamente a partir dos projetos que forem aprovados nesta seleção.
Para serem elegíveis, os trabalhos precisam se enquadrar em eixos temáticos específicos: causas e métodos de prevenção, protocolos de diagnóstico, modalidades de tratamento, criação de biorrepositórios — voltados ao armazenamento de material biológico para estudos futuros — e o impacto social da doença. A inclusão deste último pilar é vista como um divisor de águas, pois permite que o alcance da investigação científica transcenda a dimensão estritamente biológica ou clínica, alcançando a realidade cotidiana de quem vive com a condição.
O edital estabelece critérios claros para a submissão. Apenas pesquisadores com título de doutor, que atuem como coordenadores e possuam vínculo formal com a instituição executora do projeto, podem apresentar propostas. O calendário prevê que o anúncio dos contemplados aconteça em 2 de dezembro.
A urgência por novas respostas científicas encontra justificativa em dados que revelam o peso dessas condições na vida de estudantes e trabalhadoras. Levantamento realizado em 2026 pelo Alana em parceria com o Instituto Equidade.info trouxe um panorama preocupante: seis a cada dez alunas do ensino fundamental e médio que menstruam sofrem com cólicas moderadas ou severas, o que frequentemente exige intervenção medicamentosa e compromete atividades rotineiras.
A frequência dessas faltas escolares é alarmante, atingindo quatro de cada dez estudantes mensalmente. No mercado de trabalho, o cenário segue a mesma lógica de prejuízo: sintomas como as cólicas intensas, frequentemente associadas à endometriose, são responsáveis por uma média de 10,8 horas semanais de produtividade perdidas. A iniciativa busca, portanto, reverter esse ciclo de desgaste, unindo rigor acadêmico e necessidade pública para transformar o atendimento a uma parcela expressiva da população brasileira.











































































































