Vitória (ES) – O cenário cinematográfico brasileiro volta a ser foco de um esforço de internacionalização com o lançamento da segunda edição do HBF+Brazil: Iniciativa de Apoio ao Desenvolvimento. A partir do dia 3 de setembro, cineastas interessados poderão submeter seus projetos de ficção, que devem estar obrigatoriamente em estágio inicial de produção. As inscrições seguem abertas via internet apenas até o dia 10 do mesmo mês.
O edital estabelece critérios específicos de elegibilidade. Buscam-se profissionais que estejam trabalhando em seu segundo ou terceiro longa-metragem e que contem com o suporte de uma produtora brasileira associada. O objetivo central do programa é impulsionar o amadurecimento desses trabalhos, oferecendo um aporte financeiro de 10 mil euros para cada um dos 11 projetos escolhidos. A expectativa é que o resultado final da seleção seja conhecido apenas em fevereiro de 2027.
A estrutura do financiamento reflete uma articulação entre órgãos públicos e entidades privadas. A iniciativa nasce de uma parceria que reúne a RioFilme, o Hubert Bals Fund (HBF) — vinculado ao tradicional Festival Internacional de Cinema de Roterdã (IFFR) —, a Spcine e o Projeto Paradiso. Com o suporte adicional da Embratur, a distribuição das vagas foi desenhada para garantir capilaridade geográfica: quatro projetos selecionados serão vinculados à cidade do Rio de Janeiro, outros quatro à capital paulista, um projeto virá de outras regiões pelo Projeto Paradiso e dois serão contemplados via Embratur, fora do eixo Rio-São Paulo.
Leonardo Edde, presidente da RioFilme, aponta que o programa se insere no Destination Rio, um planejamento estratégico municipal voltado para a internacionalização da produção audiovisual carioca entre 2025 e 2028. A ideia é atrair parceiros globais para fomentar projetos com claro potencial de mercado ou de circulação em grandes festivais. Edde reforça ainda a intenção de expandir esse ecossistema com a futura entrada do Ministério da Cultura no grupo de patrocinadores.
Para o cinema nacional, a parceria com o Hubert Bals Fund carrega um simbolismo histórico. Desde a sua criação em 1988, o fundo holandês tem mantido uma trajetória constante de suporte a cineastas independentes. Em mais de três décadas de atuação, o Brasil figura como o país que recebeu o maior volume de investimentos da instituição. A primeira edição do HBF+Brazil já havia pavimentado esse caminho ao contemplar trabalhos como Bicho, de Madiano Marcheti; Brasa, de Marcelo Caetano; Enquanto não voltam, de Anita Rocha da Silveira; Irmã mais velha, de Rafaela Camelo; Laguna, de Maurílio Martins; Múmia Tropical, de Lucas Parente; Olhos de Yara, de Lincoln Péricles; Papiloscopista, de Carlos Segundo; Sobre Noix, de Luciano Vidigal; e Um longo despir-se, de Pedro Geraldo.












