Rio de Janeiro (RJ) – O Rio de Janeiro tornou-se, a partir desta quinta-feira (27), a casa da quarta edição do Festival Nacional da Matemática (FestMat 2026). O evento ocupa o Aterro do Flamengo até o próximo domingo (30) com uma proposta clara: desmistificar a imagem sisuda das ciências exatas por meio de uma abordagem inspirada na linguagem das histórias em quadrinhos.
A dinâmica do festival divide o espaço em seis áreas temáticas, cada uma dedicada a um universo distinto. Visitantes encontram desde o campo da geometria, focado em formas, até os domínios da aritmética e da dinâmica, que investiga fenômenos em constante transformação temporal. Marcelo Viana, diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), reforça que a intenção central é dar corpo concreto à abstração típica dos números.
A interação é a tônica da programação. Jogos foram espalhados por todos os setores, permitindo que o público jovem experimente conceitos na prática. Projetos como o Meninas Olímpicas do Impa (MOI), que busca ampliar a participação feminina nas ciências, engenharia e matemática, e estandes dedicados à Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) integram a lista de atrações.
Entre as demonstrações que chamam a atenção está a do No Fluid — Laboratório de Dinâmica de Fluidos do Impa. O estande utiliza um túnel de vento para explicar o fenômeno da turbulência e como ele se aplica à geração de energia sonora ou a partir de ondas oceânicas. Para Viana, o nível da produção é comparável a uma experiência cinematográfica.
A programação vai muito além dos cálculos tradicionais. O festival inclui a exibição do documentário Counted out – Matemática é poder, uma produção de 2024 que discute como os algoritmos e os números regem desde a gestão financeira doméstica até as grandes decisões políticas. O diretor do Impa faz um alerta sobre a importância dessa alfabetização numérica: no cenário atual, dominado por ferramentas de Inteligência Artificial, o domínio da matemática tornou-se uma fonte de poder sem precedentes. Quem domina esse conhecimento exerce influência; quem não o possui, acaba por se tornar refém dessas estruturas.
O lado artístico também marca presença com a peça Constante e Finito, da Trestada Produções. O roteiro é baseado nos textos de Pedro Roitman, docente da Universidade de Brasília (UnB), que assina a coluna Matematicamente na revista Ciência Hoje das Crianças. Para quem busca entretenimento digital, a Arena Gamer oferece jogos desenvolvidos pelo AfroGames, inclusive um título criado sob encomenda para esta edição.
Os primeiros dois dias de festival foram reservados exclusivamente para grupos escolares agendados. No sábado e no domingo, as portas se abrem para o público geral, mediante a retirada de ingressos gratuitos pela internet. De crianças a idosos, a expectativa é que o evento consiga dialogar com diversas gerações através da curiosidade científica.












