Brasília (DF) – O Sindicato Nacional dos Servidores do Plano Especial de Cargos da Polícia Federal (SinpecPF) reagiu nesta terça-feira (8) ao afastamento do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. A entidade, que defende os cerca de 2 mil servidores administrativos espalhados pelo Brasil, classificou a decisão como uma interferência externa que coloca em xeque a autonomia da instituição.
Para o sindicato, o episódio revela um uso político do Poder Judiciário. A organização sustenta que conflitos de natureza ideológica ou eleitoral não deveriam interferir na gestão da Polícia Federal, principalmente em um cenário próximo ao pleito presidencial. A nota oficial ressalta que a estrutura da corporação depende de uma gestão estável para que suas funções operacionais e administrativas sejam mantidas sem sobressaltos, advertindo que qualquer impacto na cúpula acaba por reverberar no trabalho diário dos profissionais.
O afastamento dos dirigentes decorre de uma decisão liminar proferida pelo ministro André Mendonça, do STF, motivada por um pedido apresentado pelo Partido Novo. Embora a maioria dos magistrados da Segunda Turma tenha sinalizado concordância com o entendimento de Mendonça, o desfecho do caso foi suspenso por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, deixando a situação da diretoria em um limbo jurídico.
A reação corporativa não se restringiu ao setor administrativo. A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), porta-voz de 2,3 mil delegados, também manifestou forte descontentamento. O ponto central da crítica dos delegados é o rito processual: para a associação, uma medida dessa magnitude, capaz de atingir o comando máximo da instituição, deveria ser debatida diretamente pelo plenário do STF, descartando a validade de uma decisão tomada de forma monocrática, mesmo que sujeita a uma posterior análise colegiada.
No entendimento da ADPF, o clima dentro da corporação é de crise institucional severa. O documento emitido pela associação descreve uma sequência de eventos recentes que, na visão dos delegados, compromete a segurança jurídica necessária para a continuidade das atividades da PF. A entidade reforçou que tais intervenções afetam diretamente a hierarquia e o funcionamento interno, gerando instabilidade em um momento sensível para o Estado brasileiro.











