Maranhão (MA) – O mistério que cerca o sumiço dos irmãos quilombolas Ágatha Isabelle e Alan Michel ganhou contornos de esperança infundada nas últimas semanas. A Polícia Civil do Maranhão tratou de encerrar especulações que ganharam força após uma grande operação de resgate de menores na Flórida: as duas crianças, vistas pela última vez em janeiro, não foram localizadas em solo norte-americano.
O delegado Augusto Barros foi enfático ao esclarecer a situação. Não existe, até o momento, qualquer pedido de cooperação internacional ou notificação vinda de autoridades dos Estados Unidos que mencione o paradeiro de crianças maranhenses. A conexão feita entre o caso local e o resgate de 163 menores na Flórida, anunciado recentemente pela polícia americana, não passa de um equívoco alimentado por desinformação.
A dúvida surgiu após uma mobilização que levou a defesa da família a buscar auxílio junto ao consulado brasileiro em Miami. O objetivo era checar se algum dos menores salvos poderia ser um dos dois irmãos. A resposta, contudo, veio da Polícia Federal, que confirmou a ausência de qualquer trâmite ou solicitação oficial ligando o caso do Quilombo São Sebastião dos Pretos, situado a 20 quilômetros de Bacabal, a eventos fora do Brasil.
Para o delegado, o impacto emocional dessa circulação de boatos é devastador, especialmente para a mãe, que vive a agonia da ausência desde o início do ano. Ele reforça que, embora o desejo de encontrar os irmãos vivos seja compartilhado por todos, as investigações precisam se pautar estritamente na realidade dos fatos. Não há hoje, sob custódia de autoridades estrangeiras, nenhuma criança maranhense aguardando contato ou reconhecimento familiar.
Em um esforço para esgotar as possibilidades de localização, a mãe dos pequenos esteve na sede da Polícia Federal em São Luís, na última quarta-feira. O objetivo da visita foi solicitar formalmente a inclusão de Ágatha e Alan na Difusão Amarela da Interpol. Trata-se de um procedimento padrão para casos de desaparecimento, desenhado para ampliar o alcance das buscas em órgãos internacionais, mesmo que, até agora, não existam indícios concretos de que os irmãos tenham deixado o território nacional.
A investigação segue seu curso, focada na realidade concreta, longe das narrativas que surgem sem base oficial. Nove meses após o desaparecimento, a polícia reafirma que o foco permanece na apuração dos fatos ocorridos na região de Bacabal, onde o rastro dos irmãos foi perdido.












