São Luís (MA) – A busca pelos irmãos Ágatha Isabelle, de 4 anos, e Alan Michel, de 6, desaparecidos desde o início de janeiro em uma comunidade tradicional do Maranhão, deve ganhar um novo capítulo fora do Brasil. Em uma reunião realizada na quarta-feira, 9 de outubro, na sede da Polícia Federal (PF) em São Luís, ficou definido que a corporação solicitará a inclusão dos nomes das crianças na Difusão Amarela da Interpol, um sistema global que auxilia no rastreamento de pessoas desaparecidas em todo o mundo.
O pedido formalizado pela mãe das crianças busca romper o limite das investigações locais após meses sem respostas. A Difusão Amarela funciona como um sinalizador internacional, alertando polícias de diferentes países sobre as características físicas e a identidade dos menores. Uma vez encaminhado o pedido pela PF, o comitê da Interpol avaliará a publicação do alerta para compartilhá-lo com suas bases globais.
Nathaly Moraes, advogada que acompanha a família, explicou que o encontro com o Núcleo de Cooperação Internacional serviu para mapear o funcionamento dessas ferramentas. Segundo a defensora, a assistência oferecida pela polícia internacional não se limita ao rastreamento, mas também dá suporte jurídico e logístico para uma eventual repatriação, caso os irmãos sejam localizados fora do território nacional.
Conexão internacional e a pista na Flórida
O caso ganhou contornos internacionais após uma operação policial na Flórida, nos Estados Unidos, realizada no final de agosto. Na ocasião, as autoridades americanas resgataram 163 crianças e adolescentes, com idades entre dois meses e 17 anos. Diante da notícia, a assessoria jurídica da família maranhense acionou imediatamente o consulado do Brasil em Miami para apurar a hipótese de os irmãos estarem entre os resgatados.
O reconhecimento, contudo, esbarra em barreiras psicológicas e burocráticas. Muitas das crianças encontradas em solo americano estão profundamente traumatizadas e não conseguem sequer falar, o que atrasa a identificação de suas origens. Representantes diplomáticos brasileiros realizam buscas diretas nas instalações americanas para averiguar a presença de menores de nacionalidade brasileira.
Meses de buscas sem respostas
Ágatha e Alan sumiram no dia 4 de janeiro no Quilombo São Sebastião dos Pretos, uma região situada a cerca de 20 quilômetros do município de Bacabal, no interior do Maranhão. O sumiço desencadeou uma das maiores operações de busca recentes no estado.
Durante semanas, forças de segurança locais e federais vasculharam uma densa área de mata fechada e percorreram o leito do Rio Mearim. Foram mobilizados cães farejadores, embarcações e equipamentos de varredura tecnológica, mas as buscas terrestres e fluviais não apontaram qualquer pista concreta sobre o paradeiro dos irmãos.
Em relação às tratativas externas, o Ministério das Relações Exteriores ressaltou que as ações de cooperação com polícias de outros países são conduzidas sob a coordenação do Ministério da Justiça, que gerencia os acordos internacionais e as pontes de comunicação direta com órgãos estrangeiros.












