Rio de Janeiro (RJ) – Cinco pessoas estão sob mira da Polícia Civil na zona oeste do Rio de Janeiro nesta quarta-feira (9). A operação, batizada de Anjo Caído, investiga um grupo que utilizava redes sociais e aplicativos de mensagens para difundir e comercializar medicamentos abortivos à margem da lei. Os mandados de busca e apreensão estão sendo executados em imóveis situados em Campo Grande e Cosmos.
O foco da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos começou a se fechar quando o setor de inteligência identificou perfis dedicados a oferecer os produtos sem qualquer autorização sanitária. O procedimento seguia um roteiro digital: as páginas atraíam as interessadas com promessas de interrupção da gravidez e, em seguida, migravam a negociação para canais de atendimento privados, onde os detalhes financeiros e a entrega eram finalizados.
Na vitrine desse mercado clandestino, os investigadores localizaram vídeos com títulos sugestivos como “Como fazer um aborto seguro” ou “Ajuda com positivo indesejado”. Esses conteúdos funcionavam como iscas, sempre acompanhados de links diretos para contato com os vendedores. O trabalho da polícia agora busca tipificar condutas como incitação e apologia ao crime, além de falsificação, adulteração e alteração de produtos destinados a finalidades terapêuticas ou medicinais.
Esconder a autoria era a prioridade dos envolvidos. Eles operavam através de uma rede complexa, alternando múltiplos números de telefone, diversos perfis em plataformas digitais e vários aparelhos eletrônicos para evitar o rastreio das autoridades. A quebra desse anonimato exigiu um esforço detalhado na análise de registros de conexão, dados cadastrais e o cruzamento de contas digitais, o que finalmente permitiu aos agentes estabelecerem o vínculo entre os cinco alvos da operação.
A Justiça autorizou as diligências após a apresentação de um conjunto probatório que detalha a estrutura do esquema. Agora, o objetivo principal dos policiais nas buscas é reunir evidências físicas — como computadores, celulares e documentos — que permitam dimensionar o alcance da operação e o nível de responsabilidade de cada um dos investigados na cadeia de venda.
No ordenamento jurídico brasileiro, o aborto é tipificado como crime, com penas que podem atingir dez anos de prisão. A exceção ocorre apenas em três situações específicas: quando há risco de morte para a gestante, em casos de gravidez decorrente de estupro com o devido consentimento, ou quando há diagnóstico de anencefalia fetal. Fora dessas balizas legais, a comercialização de métodos abortivos coloca o infrator sob o rigor da lei penal.












