Rio de Janeiro (RJ) – O Festival do Rio inicia seu último fim de semana com um objetivo claro: superar a marca de 140 mil espectadores registrada na edição passada. Desde o dia 1º de outubro, a maratona cinematográfica ocupou 28 salas e espaços culturais espalhados pelo Rio de Janeiro e Niterói, consolidando-se como um ponto de convergência para cineastas e o público. No total, a programação reuniu mais de 350 títulos, entre produções nacionais, pré-estreias internacionais e debates com especialistas do setor.
Destaques do cinema nacional
Entre a vasta lista de obras brasileiras, o longa Justino: Nos Bastidores do Reino, dirigido por José Eduardo Belmonte, figurou como um dos pontos altos. Exibido na Première Brasil Hors-Concours, o filme narra a trajetória de um jovem periférico que ascende na hierarquia de uma instituição neopentecostal e, após uma revelação traumática, decide revisitar seu passado 15 anos depois. Com elenco que inclui Christian Malheiros, Caio Blat e Antônio Pitanga, a obra utiliza o Brasil e Portugal como cenários para discutir fé, poder e preconceito entre as décadas de 1960 e 1990. Para o produtor Nilson Rodrigues, o projeto oferece um olhar interno sobre a formação de um dos maiores impérios religiosos do país.
Conexão com a juventude
Um dos desafios centrais destacados pela direção do festival é aproximar o público das histórias que refletem as angústias da nova geração. Ilda Santiago, diretora do evento, admite que convencer o espectador brasileiro a consumir narrativas sobre a vida jovem exige dedicação e coragem. Essa temática ganha corpo com títulos como As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você. Sob a direção de Diego Freitas e estrelado por Any Gabrielly e Giulia Be, o filme explora luto, amizade e recomeço através de uma trama baseada no livro de Fernanda Castro e Silva.
Presença internacional e peso econômico
A edição deste ano contou ainda com a estreia de Asghar Farhadi no Brasil. O diretor iraniano, duas vezes vencedor do Oscar, apresentou Contos Paralelos, longa estrelado por Catherine Deneuve e Isabelle Huppert que investiga a tênue fronteira entre a ficção e a realidade.
Para além das telas, o RioMarket reafirmou a importância do setor audiovisual na economia. Segundo dados levantados pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial e pela Universidade Federal Fluminense, a cadeia movimentou R$ 81,1 bilhões em 2025, representando 0,64% do PIB nacional. Para Walkiria Barbosa, diretora do festival e do mercado, números como esses reforçam o papel estratégico de eventos como o do Rio na criação de oportunidades de negócios e na articulação de toda a indústria cinematográfica.












