Rio de Janeiro (RJ) – Agentes da Polícia Civil deflagraram, na manhã desta quarta-feira (28), uma ofensiva contra um grupo suspeito de explorar sexualmente adolescentes no Rio de Janeiro. O objetivo é cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão expedidos contra alvos identificados como peças-chave de um esquema criminoso estruturado na produção e disseminação de registros audiovisuais com conteúdo sexual envolvendo menores de idade.
O que a polícia descreve como um sistema de escravidão sexual ultrapassa a simples gravação de cenas. Segundo as apurações, o grupo recorria a um repertório violento que incluía tortura, ameaças, estupros coletivos e um mecanismo sistemático de chantagem. A estratégia era clara: a produção das imagens servia como moeda de troca para o controle absoluto das vítimas, forçando-as a permanecer sob o jugo dos agressores mediante o receio de que o material fosse exposto publicamente.
Em nota, os investigadores detalharam que o uso de agressões, tanto de natureza física quanto psicológica, funcionava como uma ferramenta de manutenção da submissão, garantindo que as adolescentes fossem repetidamente alvos de novos abusos. A teia de crimes, segundo a polícia, era desenhada para impedir qualquer forma de reação ou denúncia por parte das jovens.
Origem da investigação
O fio condutor que levou a essa operação surgiu em julho deste ano, a partir de um desdobramento que inicialmente parecia isolado. A prisão de um assessor parlamentar, acusado de estuprar uma adolescente de 16 anos em Niterói, abriu uma janela para o submundo operado pelo bando. Ao realizarem a apreensão de aparelhos eletrônicos, como celulares e computadores, na residência desse assessor, os policiais conseguiram mapear a extensão da rede.
A análise do conteúdo recuperado nos dispositivos confiscados foi decisiva para traçar o funcionamento do esquema e identificar outros envolvidos na exploração. A operação desta quarta-feira representa, portanto, a culminância de meses de trabalho analítico sobre as evidências colhidas desde aquela primeira prisão na Região Metropolitana. Agora, o foco da força-tarefa é retirar de circulação todos os integrantes da rede, interrompendo um ciclo de violência que, por meses, manteve adolescentes reféns de um esquema de chantagem e crueldade.












