Brejetuba (ES) – O ambiente escolar tem sido palco de tensões políticas que extrapolam o debate democrático. Em Itajaí, Santa Catarina, um registro gravado por câmeras de celular expôs o momento em que dois estudantes de 15 anos, utilizando a bandeira do Brasil como capa, investiram contra colegas que vestiam peças de roupa vermelha. O episódio não se limitou ao contato físico; relatos indicam que os agressores dispararam ofensas verbais, inclusive atacando o programa Bolsa Família.
Situações similares ganham contornos de perseguição direta. No Distrito Federal, um jovem de 16 anos viu sua rotina escolar se tornar insustentável ao declarar publicamente sua preferência pelo candidato Flávio Bolsonaro. A pressão foi tamanha que o estudante precisou ser transferido para outra instituição. Esses relatos, cada vez mais frequentes, sinalizam um ambiente de intolerância que se agravou após o encerramento do processo eleitoral.
No ensino superior, o cenário mantém o mesmo teor de animosidade. No Instituto Master de Ensino Presidente Antônio Carlos (Imepac), em Araguari, estudantes de medicina foram alvos de ataques por parte de colegas. As hostilidades foram direcionadas especificamente a bolsistas que declararam voto em Luiz Inácio Lula da Silva e também a alunos que recorrem à venda de trufas e outros produtos para custear os estudos. Em nota oficial, o Imepac afirmou repudiar toda forma de discriminação, seja por convicções políticas ou pela condição socioeconômica dos discentes.
A intolerância, contudo, rompeu os muros das instituições de ensino e alcançou crianças em situação de vulnerabilidade. Em Fortaleza, Matheus, um menino de 9 anos diagnosticado com autismo, tornou-se centro de uma polêmica. O garoto, que vendia balas para auxiliar a avó — responsável por sua criação desde a morte de sua mãe —, foi abordado em um bar pela influenciadora digital Valéria Diniz.
Durante a gravação, a mulher questionou o menino sobre a escolha eleitoral de sua família. Após obter a resposta de que votariam em Lula e solicitar que o garoto fizesse o gesto do “L”, a influenciadora e suas acompanhantes riram da situação e recusaram a compra dos produtos. O conteúdo foi compartilhado nas redes sociais com a legenda provocativa “Vai na mamãe e manda ela fazer o L”. Após o caso ganhar proporções nacionais e revelar a realidade do menino, morador da periferia de Fortaleza, uma rede de solidariedade composta por motociclistas e internautas mobilizou-se para prestar auxílio financeiro à família de Matheus.











