Guarapari (ES) – O pânico retornou ao espaço aéreo europeu nesta quinta-feira. Pela segunda vez em apenas três dias, uma onda de ameaças de bomba obrigou companhias aéreas a interromper rotas, realizar pousos não planejados e solicitar escoltas militares. O cenário é de desordem logística: ao menos 25 voos em 14 nações foram impactados por alertas que, até o momento, revelaram-se infundados.
Na Bulgária, autoridades confirmaram a ocorrência de três pousos de emergência. Em solo polonês, a situação foi ainda mais tensa: uma aeronave com destino a Paris teve sua decolagem interrompida ainda no pátio, enquanto taxiava, após o recebimento do aviso. Outros aviões nem chegaram a iniciar o trajeto, retornando imediatamente aos portões de embarque por precaução.
O protocolo de resposta variou conforme a jurisdição. Nem todos os comandantes optaram pela interrupção imediata. Na República Tcheca, quatro aviões seguiram viagem normalmente, ignorando as advertências. Já em território italiano, a Força Aérea precisou intervir, escoltando uma aeronave que partira de Helsinque com destino a Roma. Em Viena, um voo da Finnair aterrissou sem maiores incidentes, apesar de ter figurado na lista de alvos.
O mistério sobre a origem das ameaças permanece. Não houve acusação formal contra governos, embora o clima diplomático esteja carregado. Autoridades europeias têm, de forma recorrente, apontado Rússia e Irã como responsáveis por atos de sabotagem no continente — alegações que Moscou e Teerã negam categoricamente.
Até a manhã desta quinta-feira, dia 5, não foram registrados impactos em conexões envolvendo o Brasil. Os incidentes restringem-se ao território europeu, afetando sobretudo rotas internas e de curta distância. A recorrência é o que mais preocupa as agências de segurança: na última terça-feira, outros sete voos e até um navio de cruzeiro foram alvos de alertas falsos similares.
O setor aéreo não tem sido o único foco de instabilidade. Nesta mesma semana, sistemas de refrigeração de supermercados em diversos países sofreram ataques de hackers não identificados, um episódio que chegou a colocar em risco estoques de bancos de sangue na França. Para especialistas da Cyviation, empresa voltada à cibersegurança, o alvo real dessas ações parece ser a infraestrutura crítica.
Além dos prejuízos financeiros bilionários causados pelas interrupções nas operações, a estratégia de disseminar o medo busca abalar a confiança do público nos serviços essenciais. Enquanto as investigações avançam, passageiros enfrentam um clima de incerteza crescente nos aeroportos, onde a rotina de segurança foi alterada pelo receio constante de novas notificações anônimas.










