Brasília (DF) – O patamar atual da Selic, fixado em 13,75% ao ano, é um obstáculo real para o desenvolvimento econômico nacional. A avaliação é do ministro da Fazenda, Dario Durigan, manifestada nesta quinta-feira (5), apenas 24 horas após o Comitê de Política Monetária (Copom) oficializar a manutenção da taxa básica de juros.
Para o integrante da equipe econômica, o nível presente dos juros penaliza tanto o setor produtivo quanto o financeiro. A questão central, no entanto, não é apenas o índice em si, mas a criação de um ambiente que permita um recuo consistente e duradouro. Segundo Durigan, o governo Lula tem o desafio estratégico de construir as bases estruturais para viabilizar esse alívio no custo do crédito.
A estratégia desenhada pelo Palácio do Planalto passa pelo rigor com as contas públicas. O objetivo é alcançar um cenário de superávit, tarefa que exige ajustes contínuos na máquina estatal. O ministro enfatizou que a busca por esse equilíbrio não atropelará os direitos das parcelas mais vulneráveis da população. Pelo contrário: a promessa é de um controle de gastos que preserve o poder de compra e o bem-estar social.
O foco, conforme detalhou Durigan, está na revisão de benefícios e no corte de privilégios. A ideia é implementar uma agenda de revisões no gasto primário capaz de colocar o orçamento no azul de maneira gradual. É essa previsibilidade, acredita o ministro, que oferecerá a segurança necessária para que a trajetória da Selic mude de direção.
A fala de Durigan sublinha a pressão que o governo tenta exercer sobre o Banco Central, sinalizando que a responsabilidade pela queda dos juros é compartilhada. Enquanto o mercado aguarda sinais concretos de controle da dívida, o Ministério da Fazenda reafirma que a prioridade é o estímulo estrutural. Resta saber se o ritmo desses ajustes será suficiente para satisfazer as expectativas de uma economia que clama por fôlego.











