Vitória (ES) – As eleições de meio de mandato presidencial nos Estados Unidos registraram quebras de barreiras na política institucional. Minorias historicamente marginalizadas alcançaram assentos federais e estaduais inéditos em várias regiões do país.
No estado de New Hampshire, o democrata Chris Pappas, de 46 anos, tornou-se o primeiro candidato assumidamente gay eleito para o Senado dos Estados Unidos. Ele assume a nova função em janeiro de 2027. Embora seja o primeiro homem gay na Casa Alta, ele não é o primeiro representante LGBTQIA+ no local, visto que a senadora Tammy Baldwin exerce mandato desde 2012.
A representatividade muçulmana também avançou. O epidemiologista Abdul El-Sayed, de 42 anos e filho de imigrantes egípcios, conquistou uma vaga no Senado pelo Michigan. Em Nova York, a ativista Aber Kawas, de 34 anos e filha de refugiados palestinos, garantiu espaço no Legislativo estadual, tornando-se a primeira mulher a usar hijab na casa legislativa.
Povos originários registraram conquistas expressivas. Deb Haaland, de 65 anos e pertencente à comunidade Laguna Pueblo, foi eleita governadora do Novo México, cargo que assumirá em janeiro de 2027. Ela comandou o Departamento do Interior entre 2021 e 2025. No Minnesota, Peggy Flanagan, de 47 anos e do povo Ojibwe, virou a primeira mulher indígena no Senado federal. Já Claire Valdez, de 37 anos e do povo Ysleta del Sur Pueblo, chegou à Câmara dos Representantes por Nova York. Indígenas representam pouco mais de 2% da população americana, segundo o U.S. Census Bureau.
A população negra, que compõe 13,5% dos habitantes segundo o censo, registrou feitos inéditos no Executivo e no Legislativo. Keisha Lance Bottoms venceu na Geórgia como a primeira governadora negra do estado. Na Flórida, o republicano Byron Donalds tornou-se o primeiro homem negro eleito para o governo estadual e o primeiro negro a chefiar o Executivo pelo Partido Republicano na história — rompendo um jejum que remonta ao século XIX, período que sucedeu a abolição da escravidão no país. Em Wisconsin, David Crowley será o primeiro governador negro em 178 anos. No Illinois, a vice-governadora Juliana Stratton garantiu uma cadeira no Senado.
O mapa político estadual também mudou para mulheres e latinos. No Texas, a democrata Gina Hinojosa, de 52 anos e raízes mexicanas, quebrou uma hegemonia republicana iniciada em 1995 e virou a primeira mulher latina a governar o estado. Na Califórnia, Xavier Becerra, de 68 anos, tornou-se o primeiro latino eleito diretamente para o governo californiano.










