La Plata, Argentina – O torcedor do Flamengo iniciou esta sexta-feira (16) com o alívio de quem sobreviveu, mas longe da satisfação que uma atuação convincente traria. O empate em 0 a 0 contra o Estudiantes, na noite de quinta-feira (15), no Estádio Jorge Luis Hirschi, em La Plata, deixou o saldo positivo pela viabilidade da vaga, mas expôs um time ofensivamente inoperante nas semifinais da Libertadores.
A decisão mudou de cenário. Na próxima quinta-feira (22), às 21h30, as equipes se reencontram no Maracanã. O regulamento é direto: quem vencer o confronto no Rio de Janeiro assegura a classificação. Um novo empate, independentemente do placar, forçará a disputa por pênaltis.
Dentro das quatro linhas, o domínio estatístico do Flamengo na posse de bola — 55% contra 45% — não se traduziu em perigo real. Apesar da disparidade técnica frente a um adversário cujo valor de mercado é quatro vezes menor, segundo dados do Transfermarkt, o Rubro-Negro foi um espectro no ataque. Foram apenas cinco finalizações em mais de 90 minutos de jogo, e nenhuma delas exigiu trabalho de Fernando Muslera. O goleiro do Estudiantes foi um mero observador da partida.
Já os argentinos, embora ineficientes no arremate final, ditaram o ritmo ofensivo. O Estudiantes disparou 21 vezes, sendo seis na direção da meta de Agustín Rossi. A intervenção mais crítica da noite ocorreu aos 32 minutos da etapa inicial, quando uma falha na cabeçada de Léo Ortiz deixou a bola limpa para Tiago Palácios. O atacante finalizou cruzado, superando Rossi, mas Léo Pereira surgiu providencialmente para salvar o Flamengo quase em cima da linha.
O momento traz ecos de fases anteriores. Nas oitavas, o Flamengo também empatou a ida fora de casa, diante do Cruzeiro, e resolveu a parada no Maracanã. A cautela, porém, é necessária: o Estudiantes tem se mostrado um visitante perigoso. Nesta edição, o time argentino empatou na ida em La Plata contra Universidad Católica e Corinthians, mas confirmou a classificação vencendo os dois confrontos de volta longe de seus domínios.
Enquanto isso, a outra semifinal desenha contornos distintos. O Palmeiras construiu uma vantagem ao bater o Fluminense por 2 a 1 no Maracanã, na última quarta-feira (14), com gols de Flaco López e Marlon Freitas — Wesley Natã descontou para o time carioca. O Verdão joga pelo empate na volta, quarta-feira (21), no Nubank Parque. Se os cariocas vencerem pela diferença mínima, o duelo vai para as penalidades; triunfos por dois gols ou mais garantem a vaga direta aos tricolores.
A configuração das chaves mantém viva a possibilidade de uma final inédita entre Flamengo e Palmeiras, que já dividiram o protagonismo nas decisões de 2021 e do ano passado. Caso o Estudiantes surpreenda, uma revanche histórica contra o clube paulista — uma reedição de 1968 — pode entrar no horizonte.












