Osasco (SP) – O vôlei brasileiro atravessa um momento de tensão institucional. Após a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) oficializar na última sexta-feira (14) novos critérios de elegibilidade — que exigem o sexo biológico feminino ao nascimento para a participação em competições femininas —, a oposta Tifanny, do Osasco São Cristóvão Saúde, rompeu o silêncio. Aos 41 anos, a primeira atleta transgênero a disputar a Superliga não poupou críticas à decisão.
Em nota divulgada por sua assessoria após a estreia da equipe no Campeonato Paulista, Tifanny definiu a medida como um “enorme retrocesso”. A jogadora, pioneira ao conquistar a Superliga em 2025, traçou um paralelo severo com o passado, comparando a nova exigência — que inclui a apresentação de resultado negativo para o gene SRY — aos métodos de verificação de gênero vigentes nas décadas de 1960 e 1970. Para ela, o impacto da decisão vai além de sua carreira individual, atingindo o clube, patrocinadores e toda a comunidade trans.
“Estão retirando o amor pelo voleibol e a profissão que exerço há anos. Não vou me calar e tomarei as medidas possíveis para garantir que a luta pela visibilidade e pela prática esportiva não seja anulada”, declarou a atleta, que integra o vôlei feminino profissional desde 2017.
O pronunciamento ocorreu poucas horas após o confronto contra o Pinheiros, realizado no último sábado (15), no Ginásio José Liberatti. Mesmo diante da polêmica, Tifanny esteve em quadra e foi o grande destaque do Osasco, anotando 19 pontos. A presença da oposta foi possível porque a Federação Paulista de Volleyball (FPV) manteve o regulamento original para o decorrer do Estadual. Contudo, a entidade estadual já sinalizou que avalia “eventuais medidas” jurídicas e de saúde para as futuras disputas.
A nova política da CBV, conforme comunicado da entidade, busca alinhamento com as diretrizes do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB). Até então, o critério principal era o monitoramento dos níveis de testosterona sérica das atletas. Com a mudança, a norma passa a impactar de imediato as edições da Superliga, Supercopa, Copa Brasil e o Circuito Brasileiro de vôlei de praia a partir de 2027.
Dentro de quadra, o jogo contra o Pinheiros refletiu o cenário acirrado. Após mais de duas horas de embate, as visitantes superaram o time da casa em um tie-break eletrizante, fechando a partida com parciais de 25/21, 25/16, 21/25, 23/25 e 15/11. Enquanto o placar foi definido em quadra, a disputa jurídica sobre o futuro das atletas trans na modalidade apenas começa.
































































































