La Paz, Bolívia – O vice-presidente da Bolívia, Edmand Lara, abriu uma crise institucional nesta quinta-feira (2). Em carta pública divulgada por redes sociais, ele revelou ter sido alertado por membros da Polícia Boliviana sobre uma manobra em curso. Segundo ele, o coronel Marcelo Ferrufino estaria fabricando um processo judicial para viabilizar sua prisão, uma medida que o vice-presidente classifica como perseguição política.
Lara, que atualmente realiza uma viagem à Espanha, afirmou que teme pela própria vida e segurança. Ele sustenta que o Executivo busca silenciá-lo devido a sua postura pública em defesa da Constituição e da democracia. O afastamento político entre ele e o presidente Rodrigo Paz, que se consolidou logo no início da gestão, transformou-se agora em um embate direto e de alto risco.
A denúncia ganha contornos mais dramáticos ao surgir apenas 48 horas após a detenção do procurador-geral da República, Roger Mariaca. O governo Paz acusa o magistrado de vínculos com o narcotráfico. Mariaca estava à frente de uma investigação complexa envolvendo Fernando Cerimedo, operador digital argentino que prestou assessoria tanto ao governo boliviano quanto ao presidente argentino Javier Milei. Especialistas apontam que Cerimedo exercia influência desproporcional sobre o gabinete de Paz, interferindo inclusive em decisões ministeriais.
A prisão de Mariaca foi celebrada pelo governo dos Estados Unidos. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou apoio explícito à operação, enquadrando-a nas ações da iniciativa Escudo das Américas. O bloco, que reúne 15 nações, sustenta que a medida protege a estabilidade regional contra o narcoterrorismo. Analistas, contudo, interpretam a coalizão como um instrumento de influência da Casa Branca destinado a conter avanços comerciais da China na região.
A tensão interna escalou quando Lara questionou a legalidade da prisão de Mariaca e tentou convocar uma sessão legislativa para a próxima terça-feira (5), visando debater as acusações levantadas pelos EUA contra autoridades bolivianas. O presidente do Senado, Diego Ávila, reagiu rapidamente e antecipou a reunião para a tarde desta sexta-feira (2), alterando a pauta para focar exclusivamente na destituição do procurador-geral. Lara contestou o procedimento, exacerbando o conflito entre o Legislativo e o Palácio.
Servidores próximos a Mariaca denunciam que o procurador foi levado sem a apresentação de um mandado judicial. Enquanto a defesa de Fernando Cerimedo insiste que o operador digital é alvo de uma trama política, o governo de Rodrigo Paz permanece em silêncio sobre as graves suspeitas levantadas por seu próprio vice-presidente.










